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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Entrevista: Russell Shedd

Por Carlos Fernandes

Não é muito comum um líder religioso chegar aos 80 anos em plena atividade. Mais raro ainda é ter atravessado todo este tempo mantendo um ministério de visibilidade internacional. Agora, privilégio mesmo é poder ostentar uma reputação inabalada e manter-se como referência de conhecimento bíblico e saber teológico em idade tão avançada. Pois Russell Philip Shedd entrou para o rol dos octogenários em 10 de novembro passado com todas essas características. Missionário de origem americana, ele está radicado no Brasil desde 1962. Neste quase meio século, tem prestado decisiva colaboração à Igreja nacional, seja através de seus livros e trabalhos de cunho teológico, seja com suas pregações, conferências e palestras.

Shedd é um teólogo com grande preparo. Com apenas 20 anos, graduou-se no Wheaton College, nos Estados Unidos. Ali, especializou-se em hebraico e grego – línguas bíblicas cujo conhecimento considera fundamental para uma correta interpretação das Escrituras. Em seguida, tornou-se mestre em teologia e, mais tarde, doutor em filosofia e Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo, na Escócia. Mas o saber não fez dele um acadêmico arrogante, desses que enxergam a divindade com a frieza dos livros. “O conhecimento não enfraquece a fé; pelo contrário, auxilia o nosso relacionamento com Deus”, afirma. “E ainda produz muita dependência dele também”. Para manter a comunhão com Deus, a receita desse veterano da fé é simples: “Acordo todo dia antes das cinco da manhã. Assim, é possível dedicar uma hora ou mais à leitura bíblica e à oração.”

Com vinte livros publicados, Russell Shedd é muito conhecido no Brasil como fundador de Edições Vida Nova, casa publicadora especializada em obras teológicas pela qual lançou a Bíblia Vida Nova em 1977, abrindo o mercado para a popularização das versões de estudo das Escrituras Sagradas. Foi também professor na Faculdade Teológica Batista de São Paulo durante 30 anos e pastor da Metropolitan Chapel, congregação fundada por ele na capital paulista, onde vive e permanece ligado à denominação Batista. Missionário jubilado, Shedd tem um padrão de vida simples, razão pela qual não aceita que o líder evangélico ostente riquezas. “Não creio que o ensinamento do Novo Testamento favoreça em algum momento o ato de esbanjar ou gastar somas grandes para provar que Deus nos tem abençoado”, comenta. O “senhor Bíblia” – como muitos o chamam, à sua própria revelia – concedeu esta entrevista a CRISTIANISMO HOJE:

CRISTIANISMO HOJE – O senhor tem um dos mais invejáveis currículos de formação teológica entre os líderes cristãos que atuam no Brasil. É difícil conciliar tanto conhecimento com a simplicidade de um relacionamento com Deus?
RUSSELL SHEDD – Não, não acho difícil. O conhecimento não enfraquece a fé; pelo contrário, auxilia o relacionamento com Deus. E produz muita dependência dele também.

De modo geral, como é o nível do conhecimento do crente brasileiro acerca de Deus e de sua Palavra?
Creio que um problema em diversas igrejas é a falta de ensinamento que explique mais detalhadamente a Bíblia toda. Por exemplo: quantos creem num inferno eterno? E muitos crentes têm uma aversão contra a soberania de Deus, tal como a Palavra ensina.

Em 1962, quando o senhor chegou ao país, o panorama religioso nacional era completamente diferente do de hoje. Faça um paralelo entre a situação espiritual que encontrou naquela época e o que se vê atualmente.
Uma das principais diferenças foi que, naquele início dos anos 1960, as igrejas tradicionais condenavam interpretações e práticas pentecostais, como dons de línguas, profecia e curas miraculosas. Tais manifestações eram consideradas quase como heréticas. Hoje, as igrejas mais tradicionais tendem a condenar a teologia da prosperidade e os ensinamentos dos neopentecostais por falta de base bíblica. Os seminários proliferam, embora o ensino bíblico, em muitos casos, seja bastante superficial. E o interesse em missões continua sendo muito precário.

Então, apesar da haver mais seminários, o panorama do ensino teológico no Brasil não é bom?
Muitas igrejas montaram suas próprias escolas teológicas. Claramente, hoje temos muitas escolas sem professores treinados. O liberalismo teológico tem sido tirado de algumas escolas, enquanto em outras continua sendo uma opção que os alunos não têm habilidade para julgar ou avaliar. A leitura de autores como Tillich e Bultmann pode dar a ideia de que não há muita diferença entre o liberalismo e ortodoxia. Um bom número de autores teológicos modernistas está aí, no mercado editorial. Ao mesmo tempo, há um crescente número de excelentes opções de autores que abraçam firmemente a inspiração plenária das Escrituras e a ortodoxia tradicional.

O reconhecimento dos cursos teológicos evangélicos pelo Ministério da Educação pode ser uma solução?
Não acho que esse reconhecimento seja positivo, uma vez que os professores precisam adquirir graus de mestrado e doutorado, muitas vezes orientados por professores liberais. E a vantagem de fazer um curso reconhecido se perde na medida em que os pastores se tornam mais, digamos, profissionais.

Como um ex-editor, o que o senhor acha do segmento editorial evangélico hoje? A realidade do mercado sufoca a vocação ministerial?
Não há dúvida de que, se não existir um mercado editorial, as editoras não podem sobreviver. Claro, elas também têm de ter um caráter de missão, para poder escolher títulos que o povo precisa ler. É óbvio que há muitos títulos no mercado que acho de pouca importância, mas isso não quer dizer que não haja muitos leitores que buscam informação e encorajamento nesses livros. Existe também uma outra questão. Algumas editoras evangélicas têm receio de publicar livros liberais, que poderiam destruir a fé dos leitores. Mas aquelas que publicam tais livros têm interesse no mercado e no aparecimento de outros autores “famosos”, mesmo que não sejam crentes evangélicos.

A popularização das Bíblias de estudo temáticas – como Bíblia da mulher, Bíblia das profecias, Bíblia dos pequeninos, Bíblia do executivo – tem beneficiado as editoras, que investem cada vez mais em novos lançamentos do gênero. Essa corrida pelo mercado é boa ou ruim?
Não acho ruim, uma vez que qualquer ajuda que o leitor recebe dessas bíblias somente poderia trazer benefícios. Não seria o caso se as notas fossem tendenciosas, oferecendo interpretações falsas.

Na diversidade de versões e edições que hoje existem da Bíblia, qual deve ser o parâmetro de escolha do crente em termos de fidedignidade?
O que importa é que a tradução escolhida não acrescente alguma ideia que o autor do original não tinha. Fidelidade na tradução sempre tem que reproduzir a ideia do original. Ela não pode incluir nem excluir algo que o texto hebraico ou grego diga.

O senhor é o presidente emérito de Edições Vida Nova, casa publicadora que ao longo dos anos tornou-se referência em obras de cunho teológico, e consultor da Shedd Publicações. Num mercado dominado por livros de cunho motivacional, a literatura teológica ainda encontra espaço?
Graças a Deus, sim. As vendas de livros publicados pelas Edições Vida Nova, bem como de Shedd Publicações, têm aumentado ano a ano, juntamente como o crescimento do público evangélico.

O que deve ser feito pelas editoras para que as obras de conhecimento teológico não sejam apenas livros de referência para professores e estudiosos, mas também tenham apelo para o crente comum, o membro de igreja?
Os editores estão de olho naquilo que vende. Eles sempre seguirão o que a pesquisa de mercado indica que será um sucesso. Mas para aproximar as obras teológicas dos leitores comuns será evidentemente necessário tornar esses livros mais populares. Por exemplo, os manuais bíblicos. Hoje existem manuais de todos os níveis.

Em seus livros "O líder que Deus usa" e "A oração e o preparo de líderes cristãos", o senhor enfatiza a necessidade do caráter e do exemplo que o pastor deve dar às suas ovelhas. Qual sua impressão sobre a integridade pastoral hoje?
Infelizmente, temos ouvido sobre casos tristes de quedas de líderes no adultério, no nepotismo e na corrupção. Os pecados que destroem o ministério do líder muitas vezes são esquecidos pelas igrejas, que acham que o pastor é um homem de Deus e não deve ser demitido por um “tropeço”, especialmente se for um líder muito popular. A verdade é que sempre tivemos quedas de líderes durante a história, mas parece que a integridade deles hoje sofre desgaste maior.

Como evitar a excessiva vinculação da congregação a seu dirigente, de modo que a eventual queda do líder não represente um golpe inevitável na comunidade?
A queda de líderes muito proeminentes, isolados e sem o acompanhamento de bons auxiliares, torna-se um desastre para a igreja. Quando presbíteros e diáconos – ou seja, o segundo escalão na liderança da igreja – são muito responsáveis, acompanhando de perto o ministério do dirigente da congregação, é possível, em muitos casos, amenizar os efeitos de uma eventual queda.

Uma das expressões dessa concentração de poder nas mãos dos líderes é o uso de título eclesiais, como o de bispo ou apóstolo. Biblicamente, qual é a legitimação disso?
O ensinamento de nosso Senhor sobre a necessidade de humildade e disposição de servir deve nos advertir sobre o perigo de procurar alguma autoridade que deve ser unicamente de Cristo. Não acho positiva a adoção de títulos que não sejam bíblicos. Bispo é um título bíblico, mas significa apenas “supervisor” e não alguém que domina a vida de outros líderes e pastores. Aliás, o único texto que menciona pastor humano no Novo Testamento é o de Efésios 4.11, onde o grego dá a entender que o pastor deve ser um mestre.
Já a nomenclatura apóstolo, a não ser em raros casos, refere-se às pessoas que Jesus apontou pessoalmente – razão pela qual Paulo argumenta, na sua primeira Epístola aos Coríntios, que viu o Senhor ressurreto e que Cristo apareceu para ele em último lugar. Já Filipenses 2.25 registra o termo “apóstolo” no original, fazendo referência a Epafrodito, que foi autorizado especificamente para levar os donativos da igreja de Filipos a Paulo. Logo, ele foi apóstolo da igreja de Filipos, tal como Barnabé e o próprio Saulo o foram da igreja de Antioquia.

Muitos dirigentes denominacionais justificam a própria opulência argumentando que a prosperidade financeira do líder é sinal da bênção de Deus. Isso tem base bíblica?
Não creio que o ensinamento do Novo Testamento favoreça em algum momento o ato de esbanjar ou gastar somas grandes para provar que Deus nos tem abençoado. Jesus mandou o jovem rico vender o que ele tinha para dar o produto aos pobres. Fica evidente que o Senhor é completamente contrário a que os líderes gastem dinheiro em luxo ou desnecessariamente.

O que faz um líder cair e ficar pelo caminho, transformando seu ministério em motivo de escândalo?
Creio que a falta de cuidado em buscar uma intimidade com Deus todos os dias, evitando a aparência do mal. Acredito que quedas ocorrem quando não achamos possível cair, ou quando ficamos seguros e até orgulhosos de nossa espiritualidade.

Quais têm sido as suas fontes de sustento ao longo desses anos todos?
Nós chegamos de Portugal em 1962, sustentados pela Missão Batista Conservadora. Ao longo desse tempo, igrejas e crentes da América do Norte enviaram suas ofertas missionárias para manter nossa família [Shedd é casado com Patricia e tem cinco filhos]. Hoje, esta entidade chama-se World Venture e continua sustentando missionários em muitos paises do mundo. O nível de sustento é determinado pela missão de acordo com o custo de vida do país no qual o missionário vive. Desde janeiro de 2008, nossos recursos vêm do plano previdenciário Social Security e de uma aposentadoria fornecida pela própria missão. Não temos sofrido nenhuma falta.

Em sua opinião, por que entidades associativas de pastores e líderes, como a Associação Evangélica Brasileira (AEVB), enfrentam problemas de continuidade? Falta interesse dos pastores em participar desses movimentos associativos?
Vários motivos explicam a falta de interesse em entidades associativas. Poucos acham importante, ou de grande benefício, esse tipo de associação. A maioria dos pastores estão tão ocupados com seus programas, planos e ministérios que não acham que vale a pena contribuir e trabalhar para alguma entidade além da própria denominação.

Em quê o conhecimento das línguas bíblicas originais pode ajudar na prática da pregação?
A importância de estudo das línguas originais reside no fato de que através dele se pode explicar melhor o significado que certos termos e frases tinham quando o autor escreveu o texto bíblico. A diferença entre as culturas bíblicas e a cultura ocidental em que vivemos hoje requer bastante cuidado para se entender a visão de mundo e os valores que regeram os escritos bíblicos. Além disso, as línguas originais ajudam chegar a conclusões mais seguras acerca do que dizem as Escrituras. Trabalhar com o texto original leva o pastor a pregar com mais cuidado e a poder afirmar: “Assim diz o Senhor”. Bons comentários também ajudam na tarefa de buscar o sentido do texto.

Essa falta de conhecimento é o motivo de tantas pregações superficiais?
Não é apenas isso. Imagino que os pastores e professores de Escola Bíblica Dominical não têm tempo ou muito interesse em examinar as Escrituras para saber de fato o que o autor queria comunicar. Preferem usar uma hermenêutica que recorre a alegorias sobre o texto bíblico. Assim, é possível dar uma interpretação muito diferente daquela que a Bíblia ensina.

Qual o tempo adequado para o preparo de uma mensagem consistente?
Varia muito. Alguns pregadores podem chegar à proposição, ou seja, ao ensinamento central do texto, com mais facilidade do que outros. Daí, procurar os argumentos dentro do texto que sustentem a proposição demora também. O professor Karl Lachler, que lecionou muitos anos na Faculdade Teológica Batista de São Paulo, dizia que uma hora de estudo por cada minuto de mensagem parece exagerado… Porém, aquele que estuda e medita para chegar ao cerne da mensagem do texto, além de buscar os argumentos dentro do trecho escolhido que comprovem essa proposição, pode gastar bastante tempo. Infelizmente, cuidado no preparo de mensagens que alimentem o rebanho e a realização de visitas para conhecer bem as vidas dos membros e confrontar aqueles que não estão obedecendo às ordens do Senhor têm sido práticas esquecidas em muitas igrejas. Pastores santos, crentes firmes na veracidade da Bíblia, com famílias ajustadas, que buscam ao Senhor com muita oração e fé, produzem igrejas de qualidade.

A Igreja contemporânea está sempre buscando novas formas de crescer, e muitas congregações recorrem a modelos empresariais de gestão e marketing. O que o senhor pensa de incorporação de tais elementos à obra de Deus?
Não tenho nada contra o crescimento das igrejas, desde que ele não ocorra em detrimento da qualidade da formação dos membros na imagem de Cristo, conforme preconiza o texto de Romanos 8.29. Sou muito a favor do crescimento do número dos genuinamente convertidos e nascidos de novo. O problema surge quando, no interesse de aumentar o tamanho da igreja, deixa-se de lado a santificação dos membros. Ora, sem a santificação, conforme Hebreus 12.14, ninguém verá o Senhor! Ocorre que modelos de gestão eclesiástica não têm tido muito sucesso no discipulado e na formação de homens e mulheres de Deus. Uma igreja muito grande pode ter dificuldades em integrar os fiéis num plano de crescimento espiritual verdadeiro. Com o aumento do número dos membros, é muito fácil perder os indivíduos de vista. Além disso, numa igreja grande os crentes muitas vezes não se sentem responsáveis para servir, contribuir, discipular ou alcançar novos convertidos, especialmente se houver na comunidade líderes pagos para cumprir esse papel. Por outro lado, uma igreja grande tem recursos pessoais e financeiros para se comprometer com grandes projetos e muitos ministérios.

Então, qual deve ser o objetivo de uma igreja?
O alvo bíblico descrito em Colossenses 1.28 – proclamação, advertência, ensino com toda sabedoria e entendimento espirituais – é o objetivo que todo pastor e igreja devem considerar como prioridade.

Na sua opinião, a mídia eletrônica é um bom púlpito?
A televisão pode, sim, ser um bom canal para se explicar o Evangelho. Mas ela tem sérias deficiências também: as pessoas não são discipuladas se não se tornam membros ativos da família de Deus. Um compromisso muito sério com uma igreja local que ensine a Palavra de Deus com autoridade é o caminho do discipulado e do crescimento espiritual.

De alto de sua experiência, o que o deixa preocupado em relação ao futuro da Igreja brasileira?
A minha preocupação se concentra na qualidade espiritual da liderança e dos membros das igrejas. É assustador ver a quantidade de divórcios que ocorrem hoje entre casais evangélicos e a falta de integridade por parte dos líderes. Também fico muito preocupado com a proliferação de ensinamentos que não são bíblicos, como a teologia da prosperidade, que nega a necessidade de o crente negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir a Jesus.

Qual a sua compreensão acerca do que seja um avivamento?
O avivamento tem algumas evidências. Uma delas é quando o Senhor e sua Palavra têm mais importância do que o dinheiro ou qualquer outra coisa material. Avivamento cria arrependimento profundo pelos pecados cometidos e muita alegria no Senhor ao reconhecer seu perdão. Para uma Igreja avivada, o evangelismo se torna algo natural e as missões transculturais, uma prioridade, uma vez que Jesus mandou seus servos fazerem discípulos de todas as nações.

Logo, ao contrário do que se diz, a Igreja brasileira hoje não experimenta um avivamento?
Não acredito que o que acontece hoje, com o rápido crescimento da Igreja, seja um avivamento de verdade. O que eu vejo é que falta temor do Senhor, arrependimento profundo e interesse por missões.

O senhor é filho de missionários americanos que aqui chegaram na primeira metade do século passado, época em que obreiros estrangeiros tinham grande influência no Brasil. Hoje em dia, sendo o país uma potência evangélica, ainda há espaço para eles?
De fato, a influência de missionários estrangeiros aqui é cada vez menor. Mas ainda há áreas em que obreiros vindos de fora poderiam ser úteis, como no preparo para as missões transculturais. O treinamento em determinadas áreas, como antropologia, linguística e informação acerca de povos não alcançados continua sendo uma área em que os missionários estrangeiros podem ser muito úteis à Igreja brasileira.

Pode-se dizer que já existe uma teologia genuinamente nacional?
Creio que teologia nacional, brasileira, seria aquela alicerçada em nossa história e cultura. Não acho que poderia encontrar uma visão como essa bem divulgada no Brasil. Ainda há muita dependência dos livros estrangeiros e de modelos de igrejas que tendem a copiar o que se faz em outros países.

Do que o senhor sente falta na Igreja de hoje e que já viu em outros tempos?
De um lado, mais ensino da Palavra, mais preocupação com santificação e mais investimento em missões transculturais. De outro, uma Escola Dominical mais forte, uma hinologia alicerçada na teologia bíblica e mais livros de ensino sério.

(Publicado originalmente em Cristianismo Hoje)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Entrevista: Rodolfo Abrantes



A entrevista que segue abaixo é uma transcrição do áudio do programa dotCast 43, da equipe do site dotGospel. Faça o download ou ouça o arquivo online neste link. O Amplificador recomenda. Na entrevista concedida a Rafael “Pepe”, o cantor Rodolfo Abrantes comentou sobre as circunstâncias do rompimento com o Raimundos, os motivos da formação fracassada do Rodox e a reviravolta na vida e na música a partir da carreira solo. Rodolfo tocou em temas polêmicos, como a prática do “jabá” nas rádios, a incompreensão do público pela saída do Raimundos, os momentos finais na banda e a questão da fama para os artistas cristãos. A conversa tem um caráter definitivo e coloca no chão qualquer dúvida dos fãs que ainda resta sobre a conversão e a trajetória musical de Rodolfo Abrantes. Entre muitos esclarecimentos e revelações, ele anuncia para breve o lançamento de um CD gravado ao vivo, com músicas compiladas dos dois últimos álbuns, e ainda, para mais adiante, um disco de inéditas, já em trabalho de pré-produção. Boa leitura!

dotCast: O que que você acha da fama, se vale a pena, quais as coisas boas da fama, as coisas ruins? E pensando, talvez, até no cristão mesmo, o cristão que hoje pode ser um cara que está buscando ser conhecido e reconhecido pelo trabalho dele e tudo mais. O que você acha de tudo isso?
Rodolfo Abrantes: Todo músico, toda pessoa que grava um CD, quer que seu trabalho alcance o maior número de pessoas. Se você ter feito dentro de um quarto de uma casa pode alcançar o mundo inteiro. Se ter feito no melhor estúdio do mundo pode não alcançar ninguém. Quem grava um CD e tem seu material quer que seu trabalho seja divulgado e quando acontece de um grande número de pessoas gostar do teu trabalho a coisa meio que mistura. Tipo, porque perde-se o foco. Você olha para a pessoa que fez e não para o trabalho. “Bom, eu gosto é dele, não do trabalho dele”. E, cara, o ser humano não foi feito para ser adorado. A gente não foi feito para ser adorado, a gente foi feito para adorar. A gente não tem estrutura para receber adoração. A gente não tem estrutura. É simplesmente uma coisa completamente fora do propósito, fora da ordem e totalmente abominável a Deus quando qualquer coisa é adorada na frente dele. O que o artista acaba recebendo é louvor, é adoração. As pessoas gritam “eu vim aqui só pra te ver”. Gritando seu nome, você mexe a mão para um lado e todo mundo mexe, mexe para o outro, todo mundo mexe. As pessoas usam camisas com o seu rosto. Fazem tatuagem com o símbolo da tua banda. Isso tudo é adoração e a gente não foi feito para se adorado. Então, tem algo recebendo essa adoração e não é do bem não.
Então, gera um peso muito grande que o ser humano não consegue comportar. Isso gera um peso. É uma coisa difícil de carregar. Você tem que virar outra coisa, porque você simples, do jeito que você nasceu, você não comporta. Então, você assume... uma máscara, exatamente, e passa a viver sua vida baseado numa mentira porque você não foi feito para aquilo. Na realidade é uma grande de uma ilusão esse negócio de ser famoso. As pessoas hoje em dia têm essa cultura de ser famoso. Aquele Zina [Marcos da Silva Herédia, comediante do programa Pânico na TV] lá... Só porque o cara fala “Ronaldo”, o cara ficou famoso. Tipo, meu Deus, eu sei falar “Ronaldo”! Qualquer criança que aprende a falar, pode falar “Ronaldo”. E o cara falou “Ronaldo” e ficou famoso. A galera vai para o Big Brother, fica famoso, vira celebridade. “Ó, celebridade!”. Celebridade por quê? Simplesmente porque apareceu, porque foi visto. E é uma loucura tão grande por aparecer que basta ser visto para ficar famoso. São artistas que não fazem arte. Tipo, é uma coisa louca pra caramba. Eu acho muito perigoso. Eu acho, cara, que o foco da minha vida hoje é cantar para Jesus. E se minha música for conhecida é para que as pessoas conheçam Jesus. Se alcançar o maior número de lares é para que as pessoas conheçam Jesus. Se as pessoas forem nas nossas ministrações e em alguns shows, que elas cheguem lá, mas que elas encontrem Jesus. O alvo é fazer Ele famoso, é fazer Ele grande, é fazer com que Ele seja reconhecido. Porque assim você não fica pesado, você fica leve. Você está cumprindo o seu papel: fazer Ele ser adorado.

dotCast: Como é que era no Raimundos assim, por exemplo, gravadora? Tinha muito rolo de gravadora, por exemplo, com rádios? A galera pergunta muito sobre isso, sabe, “jabá” e sacanagens que os caras faziam. Tinha muito dessas coisas?
Rodolfo: Claro, tudo é política, claro que tem. Toda rádio só toca se a gravadora paga. Não tem essa “Ah, eu vou tocar porque você é bonitinho”. Não é. Você paga, a rádio estoura a tua música e, se está estourado numa rádio, a outra tem que tocar também para não ficar para trás. Aí, pronto, aí você está tocando em todas as rádios.

dotCast: Agora, mesmo depois de, por exemplo, como o Raimundos. Depois de um tempo o Raimundos começou a ter uma fama, certo? Mesmo assim a banda precisava ter...
Rodolfo: Tem, é o esquema. Rádio vive disso.

dotCast: Mesmo banda famosa não escapa do esquema?
Rodolfo: Claro, claro. Não, não escapa. Já tem a verba de divulgação. A gravadora já tem essa verba de divulgação que é para pagar para sair nos programas, pagar para as músicas tocar nas rádios, quantas execuções por dia...

dotCast: Porque, às vezes, a banda tem aquela ilusão de ir para a gravadora. Mas, na verdade, é só o seguinte, ele só não vai ser o intermediário da sacanagem que vão fazer com a rádio, não é?
Rodolfo: É, às vezes não fica nem sabendo. Mas, meu, é a real. Não é que a rádio toca o que você quer ouvir. Você ouve o que a rádio quer que você ouça. E pronto.

dotCast: Ninguém pede, tipo assim, esse negócio de pedir música, pede o que já está tocando, não é?
Rodolfo: É porque já está tocando. “Ah, toca ela de novo”, aí vira a mais pedida porque já tocou tanto... É repetição.

dotCast: A relação da banda Raimundos. A relação de vocês era boa, assim como banda, ou não? Ou vocês não tinham uma relação de amizade muito legal...
Rodolfo: Cara, a banda nasceu debaixo de amizade mesmo. A gente era amigos comuns e montamos a banda. Depois do primeiro CD as coisas começaram a mudar um pouco. Continuamos amigos, mas entra dinheiro, entra ciúmes, entre um aparecendo mais que o outro, e o outro quer aparecer mais e aí gera vaidade. E isso vai minando a amizade, vai minando. Até que, na época que saí da banda, a gente só se via no show, só se via na hora de tocar. Não que a gente se odiasse, nada disso. Na nossa cabeça éramos amigos, mas não tínhamos mais relacionamento.

dotCast: Era meio profissional, mesmo?
Rodolfo: Exato. Nêgo casou e cada um foi para o seu lado. E aquele negócio...

dotCast: E o que você acha pior, assim, Rodolfo, nessa parada de fama, na questão de “a banda está crescendo e tal”. É mais a vaidade, é mais as drogas?
Rodolfo: Tudo é vaidade. Tudo é vaidade. A vaidade está ali. É um poço de vaidade.

dotCast: Hoje você ainda conversa com os caras do Raimundos? Você tem alguma relação?
Rodolfo: Não, não tenho.

dotCast: Por exemplo, o “Canisso” [José Henrique Campos Pereira, baixista da formação original do Raimundos] foi até uma parte do Rodox...
Rodolfo: Exatamente. Mas ele não gosta muito de telefone. E eu também não, daí fica fogo. Mas eu gosto muito dele.

dotCast: Mas é um cara que, se você encontrar, troca uma ideia normal?
Rodolfo: Tranquilo, tranquilo.

dotCast: Mas, e com os outros cara?
Rodolfo:
Cara, eles assumiram que eu era inimigo deles quando eu saí da banda e ficou assim.

dotCast: Porque eles, na verdade, não compreenderam essa ideia de que, tipo...
Rodolfo: Não, não compreenderam. Deu prejuízo, não é, cara.

dotCast: Agora, outra coisa, como é que foi, porque, por exemplo, quando você passou a conhecer a Cristo, você continuou um tempo ainda no Raimundos?
Rodolfo: Sim, uns cinco meses.

dotCast: Como é que foram esses meses. Porque, eu penso assim, o desafio que deve ter sido para você... Você já estava vivendo outros valores. Você tinha, às vezes, que cantar umas músicas que você sabia que já não tinha mais nada a ver. Como é que era isso para você?
Rodolfo: Torturante, era torturante. E a medida que a gente ia crescendo com Deus, isso se tornava mais torturante ainda. Ao ponto de, a turnê acabou, eu falei: Cara, não agüento mais, vou sair. Não quero mais um ano disso, mais uma vida disso. Gravar outro CD? O que que eu vou compor? A respeito do quê? Porque, até então, eu estava cantando coisas que eu tinha composto quando eu ainda não conhecia Jesus. E, a partir de agora, eu ia cantar o quê? Como que eu iria manter aquele personagem? Não tinha mais condição. É o problema da criação, não é? E decidir sair fora, tipo assim, parecia coisa de louco, mas foi questão de sobrevivência.

dotCast: Então, na verdade, você só cumpriu a última turnê, que já estava em andamento, e saiu fora?
Rodolfo: Foi. Eu fui tocando e quando chegou o último fim de semana foi ali que eu decidi mesmo. Parecia uma coisa impulsiva, mas, na época, era o que eu tinha que fazer.

dotCast: Aí nós vamos para uma fase, cara, que é uma parte bem louca, que é o Rodox. Eu já ouvi várias entrevistas de você falando sobre isso e muita gente, às vezes, nem entendeu direito o que que o Rodox era para ser e tudo o mais. Mas, cara, o Rodox foi uma parada muito louca, não é? [...] A gente vê duas coisas no Rodox. A gente vê uma ideia muito fantástica, tipo, você poder tocar para pessoas que não são cristãs, e tal, mas tinha outra coisa também, que você era o único ali que estava a fim, não é? De fazer isso, por exemplo, essa parada de cantar para as pessoas e tal. Os outros estavam ali por serem músicos, por gostarem, não é isso? É mais ou menos isso aí?
Rodolfo: Já estava ali, meu. O negócio... Estava todo mundo falando o meu nome. Era uma parada que já estava exposta simplesmente por existir.

dotCast: Mas os outros músicos não tinham, assim...
Rodolfo:
Não tinham nada com Deus, não tinham compromisso algum.

dotCast: E não tinham essa ideia, não é, de “vamos passar uma mensagem bacana”?
Rodolfo: Estavam lá fazendo show. E era isso.

dotCast: Assim, o pessoal ainda até hoje não entende muito bem por que o Rodox acabou, por que que não, mas, assim, um dos pontos seriam mais ou menos isso, da questão de divergência de pensamentos dos próprios integrantes, não?
Rodolfo: Sem dúvida. A resposta mais prática poderia ser essa. No começo eu montei a banda, Rodox era um apelido que eu tinha, era meu contrato com a gravadora. Eu chamei os caras para tocar comigo e acabei dividindo tudo, assim tipo, nós somos uma banda e todos tem voz ativa. Foi o maior erro que eu fiz na minha vida, porque, ok, “então, nós começamos a decidir também”. No começo respeitavam a parada, mas o respeito foi indo embora. Nem sei se era respeito, no começo eles fingiam legal, assim, que respeitavam. Depois o respeito acabou completamente ao ponto de, meu, no fim quando eu terminei o Rodox era porque estava insustentável. Um nível de bagunça incrível, de falar “meu, não tem como, não dá”. E foi uma questão de sobrevivência.
O Rodox, na minha opinião, cara, foi algo que Deus acabou usando por misericórdia, por misericórdia mesmo. Porque existem duas coisas diferentes que é a minha vontade em Deus e a vontade de Deus em mim. O Rodox era a minha vontade em Deu, era o que eu queria fazer, não foi o que Deus me mandou fazer, era o que eu queria fazer. E eu era um cristão muito imaturo ainda. Sete meses de convertido, oito meses quando eu montei o Rodox. Não tinha um pastor sobre a minha vida, eu ia em cinco igrejas diferentes ao mesmo tempo. Não tinha ninguém me aconselhando, eu estava em transformação. E o Rodox surgiu num turbilhão emocional muito forte, porque foi quando eu saí da banda e, meu, eu tive que encarar a rejeição de uma maneira que eu nunca tinha encarado. A rejeição da minha família, a rejeição dos meus amigos, a rejeição dos companheiros da banda, rejeição dos fãs, rejeição das rádios, da MTV, rejeição de todo mundo, tudo me rejeitava. Tipo, eu era um palhaço, eu era o cara que abandonou a banda, eu era o traidor, eu era, meu, eu fui infiel com o rock, fui infiel com a banda, fui um moleque. Então era assim, virou espetáculo... O que acontece, meu, eu queria desabafar, cara. Então, assim, eu queria adorar a Deus, mas eu queria desabafar. E as músicas do Rodox têm muita mistura e eu não consigo ouvir uma. Nenhuma. Porque eu estava em transformação, meu coração não estava puro para adorar a Deus. Na mesma música que tem “glória a Deus”, tem eu querendo mandar recado para alguém. No mesmo disco que tem “Cego de Jericó”, tem “Horário Nobre”, eu querendo matar a televisão e toda a mídia. Tipo, como é que... Essa agressividade não tem nada a ver com Deus, essa mágoa, essa falta de perdão. Não tem nada a ver com Deus. E aquilo começou a me castigar. O processo de transformação na minha vida continuou. E é louco porque eu identificava coisas dentro do Rodox que eram amargura pura. E eu estava cantando essa amargura. E não tinha como me livrar dessa amargura enquanto eu continuasse profetizando isso para a minha vida através de música.
E, meu, chegou um tempo de quando cancelava um show do Rodox, para mim era motivo de muita alegria, porque eu não precisava nem viajar. Tipo, eu estava começando a ter o mesmo sentimento que eu tinha com o Raimundos, só que num tempo muito mais curto de existência. Então aquilo começou a ser um sinal. Era uma coisa complicada. O Rodox era uma banda muito indefinida: era muito do mundo para a galera da igreja e muito da igreja para a galera do mundo. No começo, ninguém ia nos shows, os shows eram vazios, era prejuízo, era show sendo cancelado por que vendeu 100 ingressos. Era, meu, era humilhante. Chegava a ser humilhante. A gente tocou em Porto Alegre [RS], num lugar chamado Bar Opinião, que é um reduto da música em Porto Alegre, já cheguei a fazer três dias de SoulOut (?) com o Raimundos lá, e fomos tocar o Rodox, cara, eu me lembro que o cachê foi 19 reais para cada um. Sabe você receber uma nota de 20 e dar uma de troco? Isso o cachê. Então, assim, era uma situação que, cara, era doído. Você está investindo e ninguém entendeu, ninguém gostou. Mas isso era uma coisa muito, tipo assim, era a aversão ao posicionamento que eu tinha tomado. Quando o Rodox saiu da [gravadora] Warner, porque fomos mandados embora da gravadora porque veio a crise no mercado fonográfico, e a Warner Internacional mandou a Warner Brasil cortar a metade do cast. E a metade que foi cortada foi a metade que vendia menos. Estavam o Raimundo incluído e o Rodox também. Foi quando a gente ficou sem gravadora. Nessa época, a galera underground começou a valorizar mais, porque agora era uma banda independente. Os shows começaram a encher, a galera começou a cantar as músicas. Já tinham passado dois ou três anos, e a galera passou a entender o que era a pegada do Rodox, e tudo. Mas nesse tempo, eu ainda estava sendo transformado. E três anos de transformação ali dentro, meu, me fizeram desejar a vontade de Deus na minha vida, e não a minha vontade.
E, cara, quando eu terminei com o Rodox, eu orei ao Senhor e falei: “Pai, eu não quero dar mais um passo ser receber a tua direção primeiro”. E foi aí que o trabalho do Bola de Neve começou em Balneário Camboriú [SC]. O pastor me pediu para mim ajudar lá no louvor. Eu vi uma igreja nascendo e foi aí um tempo que eu aprendi a servir, aprendi a ser servo. Fui lixado, o músico teve que morrer, artista teve que morrer. E foi um período que aí eu comece a fazer novas composições e aí até que pintou o [álbum] “Santidade ao Senhor”, que foi um negócio completamente estranho para mim, porque tinham estilos dentro das músicas que não tinham nada a ver como que eu tinha feito no passado. Tinha música que parecia blues, tinha música que parecia folk, tinha música que parecia sei lá o quê, música meio reggae. Tipo, eu nunca tinha feito isso na vida. Era estranho para mim. Assim, para mim, eu estava respeitando ao veículo que a mensagem pedia. Sabe é, tipo assim, eu creio que existem mensagens que querem ser gritadas, e aí você vai... A mensagem que estava vindo para mim agora não era mais isso. Simplesmente respeitei a música que seria simplesmente o veículo para esta mensagem ir adiante. E, cara, o sinal disso é que o Espírito me deu paz, alegria. Eu toco as mesmas músicas até hoje, amo ficar tocando horas seguidas e, meu, não tenho problemas com isso. Acabo só usando a estrutura das músicas para adorar a Deus, não fico me prendendo muito a começo, meio e fim, para ter a liberdade de adorar a Deus no meio disso. E, cara, tem me feito muito bem.

dotCast: Você passou uma mensagem no passado e hoje você vem carregando outra mensagem. Qual mensagem hoje que você acha, assim, que você gostaria de passar para os jovens? Até a galera que curtia Raimundos, e tem gente que até está hoje no teu pé ainda... Mas qual a mensagem que você gostaria de passar para a galera hoje. Qual a mensagem do Rodolfo Abrantes hoje para o mundo, vamos dizer?
Rodolfo: Cara, o mundo tem solução e a solução é Deus, é o governo de Deus, é o reino de Deus. A desordem é o governo dos homens. A ordem é o governo de Deus. Olhem para Jesus, façam dEle o centro de sua vida e, meu, a sua vida depende disso. Não interessa você ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma, cara, não interessa se viveu uma vaidade aqui nessa vida. O tempo passou e não volta.

dotCast: Você acha que, por exemplo, um projeto que nem Rodox, mas feito de forma assim, toda a galera no mesmo propósito, você acha que daria certo ou não?
Rodolfo: Se fosse a vontade de Deus, claro.

dotCast: [...] Eu vejo uma galera nascendo nisso também. Vários cristãos que estão querendo fazer a diferença no meio secular também. E qual que seria o seu recado para essa galera que está querendo fazer isso aí e tal, você que já teve nesse meio aí, anos e anos e anos, qual seria suas dicas?
Rodolfo: Cara, Deus nunca vai jogar você no meio dos lobos se você não for uma ovelha. Ele disse: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos”. Mas a ovelha ela é protegida pelo pastor, a ovelha sabe quem ela é, e a ovelha conhece a voz do pastor. A ovelha ouve a voz do pastor e a ovelha obedece a voz do pastor. Deus não vai desejar que você esteja lá antes que você esteja pronto para estar. Porque se você for para lá e tudo que você ver e estiver ao seu redor te servir de uma pedra de tropeço, é uma roubada. Eu creio que Deus, Ele tem planos para cada um, cara, e eu não estou aqui para julgar ninguém. Na boa, a Baby do Brasil aparece cantando em cima de um trio elétrico lá no carnaval da Bahia. Todo mundo fala mal dela, mas é o chamado de Deus para a vida dela, ela foi chamada para isso. Ela chega no Jô Soares, fala dois blocos seguidos e ninguém manda ela parar. Ela tem entrada, é o ministério dela, eu não estou aqui para julgar. Se foi Deus quem mandou, quem sou eu para me opor ao que Deus está fazendo.
Para essa galera que quer fazer, estar lá, e fazer essa diferença, você vai precisar ser muito mais crente do que um cara que só toca na igreja. Sem dúvida, na igreja é fácil ser crente. Você vai ter que ser muito mais santo, vai ter que ser muito mais posicionado, muito mais convicto. O perigoso disso é que a maioria das pessoas que quer estar lá é porque ainda não está pronto. Está louco é para voltar. Está louco para experimentar a coisinha lá do mundo, mas com a desculpa de que foi evangelizar. E, na verdade, só quer ficar famoso. De repente, daqui a pouco está pegando mulher, daqui a pouco está doidão de novo. Caiu e só está cantando uma música religiosa que não tem poder, não tem verdade, não tem amor e não faz nada, só soa bobo. Música religiosa sem espírito, soa bobo.

dotCast: Você falou uma parada interessante. Eu estava vendo ontem vocês tocando e, na última música, o batera ficou em pé tocando a bateria e tal [...].
Rodolfo: A verdade, cara, é a verdade de Deus. A verdade liberta. A verdade liberta, a Bíblia diz isso. E tem que viver e ser fiel com a verdade de Deus na sua vida. Eu estou muito confortável hoje, muito em paz, com a direção que Deus tem dado para essa parte da minha vida, que é a música. Uma parte, não é a minha vida; minha vida é Jesus. É uma parte da minha vida. Porque eu não preciso parecer mais nada, não tenho mais o peso de ter que parecer alguma coisa, para incrementar e ser uma cereja do bolo, não precisa. Se eu estou aqui para sumir, quanto menos eu for, melhor. Me sinto bem em passar tempo falando de Jesus e cantando para Ele. E se você não quer sair daquele lugar é porque aquele lugar está bom. Então, eu observo os sinais, porque Deus vai manifestar, vai botar sinais no meu caminho para me mostrar o caminho que eu devo seguir. E os frutos, eles virão por permanecer nessa verdade. Jesus disse, quando Ele fala da parábola, quando Ele da videira, que Ele é a videira e nós somos os ramos, Ele fala “permanecei” em várias vezes. E quando Ele repete muito uma coisa, presta atenção, porque talvez Ele queira dizer algo. Os frutos eles não vem pelo teu esforço, eles vem pelo permanecer, eles vem naturalmente. Então, enquanto eu permanecer, Deus vai estar fazendo o resto. O fruto vem dEle, não sou eu. Eu só tenho que estar no lugar certo, na hora certa, fazendo a coisa certa.

dotCast: E, por exemplo, e caminhar com Deus, Rodolfo, que nem você está hoje, buscando cada vez mais e tal, não é um caminho fácil, não é cara? Porque, por exemplo, você hoje sofre até hoje, galera que (você deve sofrer isso direto), galera que vai no teu show, que era do Raimundos e não concorda com você, e fica falando besteira, não é?
Rodolfo: Cara, acontece, mas não é que eu sofra com isso não. Não sofro nem um pouco. Ontem mesmo tinha um gurizão lá com a tatuagem do Raimundos no peito e estava na frente do palco. E, meu, e fumando sem parar e soprando a fumaça na minha cara. Não me incomodou nenhum pouco, cara. Eu estava glorificando a Deus por aquele cara esta ali. Tinha uma galera mais underground lá no fundo, levantando umas garrafas de cachaça, falando um monte de besteiras. No final eles vieram ali tirar foto. Até a galera veio falar: “Meu, cuidado, esses caras eu acho que... vai dar problema”. Cara, eu abracei os cinco, uns cinco ou seis, assim, e vamos tirar uma foto aqui. Um até me beijou na cabeça, tipo, meu, glória a Deus, a gente foi para a praça para esses caras, a gente foi para eles chegarem. Eu quero que essas pessoas possam ter a oportunidade, aí a escolha é deles.

dotCast: Porque a gente fala tanto de amor, não é Rodolfo, se a gente não praticar isso, não é, cara...
Rodolfo:
Então é morto. A minha fé é morta.

dotCast: E, só falando assim, para fechar um pouquinho do futuro de Rodolfo, teve aquele burburinho agora há pouco, que falaram que você ia voltar para o Raimundos, mas que, assim, só para o pessoal ficar tranqüilo, que não vai rolar isso aí, não é?
Rodolfo: Não existe isso. Não existe. Não tem a menor chance. Mais fácil eu voltar para a barriga da minha mãe, do que... Não tem, não tem a menor chance, não existe a menor possibilidade. Não tem dinheiro nesse mundo, cara, que me compre e que seja mais alto que o valor do sangue de Jesus pela minha vida. Não tem, não existe. Internet é o melhor lugar para um mentiroso se manifestar, cara. Ninguém mostra a cara, fala um monte de besteira, todo mundo acredita e começam a comentar, o negócio espalha e estão achando que aquilo é verdade. É engraçado como a mentira, quando ele espalha, ela parece mais verdadeira que a verdade. “Não, mas disseram que você vai voltar para o Raimundos!”. Cara, eu estou dizendo que não vou, o que interessa que disseram?

dotCast: Direto da fonte, não é?
Rodolfo: Tipo, meu, é uma coisa louca. Eu nem mexo com isso. Na real, não tenho Orkut, não tenho Twitter, não gosto de nada disso. Tem uns retardados que dizem que sou eu no Orkut, tem um Rodolfo lá, botam foto e tudo. Vai arrumar o que fazer, vai estudar matemática, vai fazer um curso de inglês, sei lá, cara. Não gosto disso, sabe por que, porque eu prefiro contato, tipo, estou aqui. “Ah, eu te mandei um e-mail para você me ligar”, porque você não me ligou de uma vez, cara? Sabe, é um vício. É a novidade desse tempo. E é uma mentira, não é? Porque você não vê ninguém colocar uma foto no Orkut do dia que ele está triste, você não vê o cara num lugar, tipo, na maior roubada, tipo, aquela cara... Não, está sempre na praia, com “oclão”, tipo, “olha como eu sou perfeito, olha como eu sou lindo, olha como a vida é boa, eu quero ser famoso também”. Sabe, tipo, é uma droga isso, não estou nem aí para esse treco, não.

dotCast: Rodolfo, por exemplo, agora, no futuro, lógico que você está aí no que Deus te falar, na direção dEle, mas você pensa em algo do tipo, que nem Rodox, cantar para a galera secular e tal, ou não? Você hoje está mais voltado mesmo para a questão de igrejas, louvor e tal?
Rodolfo: A Bíblia diz para a gente desenvolver com temor e tremor a nossa salvação, cara. Então, assim, eu não vou botar minha salvação em risco não. Como eu preguei hoje aí de manhã, eu creio na medida que Deus tem para mim e Ele me quer separado. Foi dali que Ele me tirou, cara. Me tirou dali, se Ele me tirou porque que eu vou me por de volta? Não vou, na boa. Já tive uma experiência de fazer do meu jeito e não foi, não prosperou, porque eu fui na minha força, e minha força é uma merreca. Sabe, a minha vida com Deus hoje, hoje eu viajo muito mais do que na época com o Raimundos, para você ter um ideia. Estou muito mais fora de casa do que estava na época do Raimundos. Tenho prazer em tocar coisa que eu não tinha, sabe. Tenho composto, coisa que eu não fazia – a gente fazia as músicas e na hora de gravar eu inventava um monte de porcaria que rimasse e a galera cantava amarradão, dizendo: “Olha que grande letra!”.

dotCast: Não tinha nada a ver, não é? Tudo na hora!
Rodolfo: Nada a ver. Tipo, tudo melhorou, então eu não tenho porque negligenciar esses sinais e sair querendo inventar moda. “Não, vou voltar. Tive uma grande ideia”. Poxa, Deus teve a grande ideia para a minha vida. Ele teve o grande plano. Tudo que eu tenho que fazer para ser feliz é seguir esse plano dEle, se Ele me quer aqui, é aqui que eu vou estar.

dotCast: Rodolfo, valeu aí pela sua entrevista. O dotCast agradece muito sua presença e, se você quiser falar alguma coisas aí sobre seus CDs, alguma coisa para a galera, sites, ou quer dar alguma informação e dar sua despedida, fique à vontade.
Rodolfo: O nosso site está fora do ar. A gente está fazendo outro, mas tem uma página no MySpace, que tem as músicas lá e eu acho que é a coisa mais atualizada que a gente tem, essa página no MySpace [http://www.myspace.com/rodolfoabrantes]. Os CDs que a gente tem são o “Santidade ao Senhor” e o “Enquanto é Dia”. E está saindo um CD ao vivo agora, foi gravado em 2007, mas só agora que está saindo, que é uma compilação desses dois CDs. Talvez saia um DVD também do mesmo show, a gente não sabe ainda se vai lançar, mas o CD ao vivo está saindo, está indo para a fábrica agora. E ano que vem vai estar vindo um CD aí de inéditas, que já está em pré-produção, já tem 70% do material pronto, e a gente só está esperando o tempo certo de botar isso aí na rua.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entrevista: banda Stauros

Grupo de heavy metal surgido na década de 90, o Stauros retoma as atividades após um hiato de cinco anos. Para marcar este retorno aos palcos, a banda está lançando um novo álbum, intitulado “Praise”. O trabalho de inéditas apresenta o conjunto em sua nova formação: Luiz Fernando (vocal), Renatinho (guitarra/vocais), Alessandro Lucindo (guitarra/vocais), Elias Vasconcelos (baixo) e Ulisses (bateria).

O Stauros – cruz em grego – é considerado um dos grupos pioneiros do metal cristão brasileiro. Tal patamar foi atingido graças a álbuns como “O Sentido da Vida”, “Seaqueake” e “Adrift”. Estes dois últimos, com letras em inglês, trouxeram reconhecimento para o grupo no exterior e renderam boas vendagens nos EUA, na Europa e no Japão.

Em bate-papo com o Troféu Talento, Renatinho – guitarrista do grupo –, fala sobre as novidades do CD “Praise”, relembra o período em que o Stauros cantava em inglês e revela alguns objetivos neste retorno da banda em sua nova formação. Confira:

Troféu Talento: O que o álbum “Praise” traz de novidades em relação aos trabalhos anteriores do grupo?
Renatinho: Acho que a maior novidade é o propósito do “Praise”, pois grande parte da renda desse álbum será revertida para abençoar crianças carentes. Isso foi gerado no nosso coração muito antes de começarmos a compor o álbum. Então, Deus foi dando as canções e assim nasceu o “Praise”. Outra novidade seria o foco das letras, pois elas estão baseadas na nossa experiência com Deus nesses cinco anos de silêncio do Stauros, em que amadurecemos muito e aprendemos a romper com a própria vida, a renunciar nossa vontade. Foi um renovar e restaurar de Deus muito singular que procuramos expressar nessas canções em forma de adoração ao nosso maravilhoso Deus.

TT: Quais são os diferenciais da sonoridade desta nova formação do Stauros?
R: Eu não diria a diferença da sonoridade da formação do Stauros e sim desse álbum em específico, pois, nas apresentações, o público vai conferir músicas dos outros álbuns também e vão perceber que a sonoridade é a mesma. Agora, nesse álbum, o público vai poder conhecer outra faceta do Stauros. Com certeza, o CD está bem diferente dos álbuns anteriores, mas, ao mesmo tempo, tem a essência da nossa música bem explícita no trabalho, que todo aquele que conhece bem o Stauros vai perceber.

TT: Houve um período em que o grupo optou pelas letras em inglês. Tal escolha abriu mercado para a banda no exterior?
R: Optamos naquela época pelo inglês por duas razões: primeiro pela mudança de vocalista, pois o Celso até aquele momento (1997) tinha sido o único vocalista que conhecíamos que cantava metal em português sem desvirtuar o estilo. Já no vocal do Cesar, achamos que o inglês se adaptou melhor e, ao mesmo tempo, tínhamos a intenção de romper barreiras e buscar um público no exterior, que graças a Deus foi alcançado, pois tivemos uma venda expressiva nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.

TT: O Stauros já esteve em gravadora e atualmente está no mercado independente. Poderia apontar as diferenças entre as duas situações?
R:
Uma boa gravadora, sem sombra de dúvidas, é uma necessidade fundamental para uma banda que quer ter seu trabalho bem divulgado. É a forma mais fácil de ter o seu CD colocado nas mais remotas “lojinhas”, onde nós, como banda, não teríamos acesso. Por outro lado, quando lançamos o “Adrift” de forma independente, tivemos a experiência de vender quase 10 mil cópias em pouco mais de dois meses, o que consideramos uma façanha para uma banda de metal independente. Mas sabemos que isso só foi possível porque a banda já era conhecida pelo público através da divulgação feita pela gravadora.

TT: Como anda a agenda de shows?
R:
No momento, não estamos tocando. Acabamos de receber o “Praise” e vamos fazer o lançamento do CD no final de novembro. Também fechamos contrato com a MGA assessoria, que estará empresariando a banda e fazendo a nossa agenda para o ano de 2010.

TT: Depois de lançado o álbum, quais são as metas da banda?
R: Temos muitas metas. Entre as principais, abençoar a igreja com as nossas vidas, fazer muitos shows em 2010 com o “Praise” por todo o Brasil e na América Latina, ter um número expressivo de vendas desse trabalho para que o objetivo de usar a renda para abençoar as crianças carentes seja alcançado e muitas sejam abençoadas.

(Fonte: Agência Unipress Internacional – Troféu Talento, via MGAssessoria)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Entrevista: Lucas Souza Banda


Lucas Souza Banda é o nome e sobrenome de uma das grandes revelações do pop-rock cristão nos últimos anos no Brasil. Embora à margem da mídia, dos interesses das gravadoras e dos modismos na música evangélica brasileira, a qualidade do trabalho de Lucas Souza tem se firmado por caminhos alternativos, configurando, juntos com outros nomes seletos, como o Palavrantiga, referência obrigatória a todos que esperam uma renovação competente, independente e ousada no cenário da música cristã no país.

Lucas Souza Banda é Lucas Souza (voz), Leonardo Norbim (baixo), Jorge Duarte (guitarra) e Marcos Passos (bateria). O grupo de Vitória (ES) está junto desde 2002, quando os encontros musicais ainda eram esporádicos e informais. A partir de 2003, o trabalho foi ganhando corpo, seriedade e também notoriedade. E culminou, em 2004, no lançamento do primeiro álbum, “Capturado”. No entanto, foi com o segundo disco – “Caminho de Revolução” – gravado ao vivo em 2005, que a banda se projetou nacionalmente, com apresentações em várias cidades do país, e até no exterior, com participações nos Estados Unidos e na Europa. Em 2007, o grupo gravou o EP “Doxologia”, trazendo versões contemporâneas de hinos antigos. “Cidade do Amor”, de 2009, é o último trabalho de inéditas da banda e tem sido recebido com entusiasmo pelo público. Gerou, inclusive, convite para uma série de ministrações, realizadas neste mês, no Japão. Este último CD marca ainda um detalhe: foi masterizado no Abbey Road, lendário estúdio inglês por onde passaram os Beatles e Pink Floyd, entre outros famosos.

Confira abaixo uma entrevista exclusiva do site ItSoundsLike com Lucas Souza e saiba mais sobre o artista e o trabalho com “Cidade do Amor”:

ItSoundsLike: Lucas conta pra a gente como e quando a música surgiu na sua vida.
Lucas Souza: A música pra mim surgiu desde a infância. Aos dois anos eu já fazia aulas de musicalização infantil e logo depois emendei em aulas de flauta-doce, violino, piano, saxofone e violão, como também aulas de canto-coral. Cresci envolvido nessa áurea musical, porque além de ter uma mãe que é professora de música, morava conosco meu tio Luis Cláudio Barros, que hoje é considerado um dos maiores nomes do piano no Brasil. Eu passava o dia inteiro ouvindo o piano soar, já que ele estudava pelo menos 8 horas por dia. Isso aguçou meus ouvidos e me deu condição de fazer o que faço hoje.

ItSoundsLike: Quais foram as principais inspirações para a composição das música do “Cidade do Amor”?
Lucas Souza: Eu diria que várias, até porque não compus as músicas sozinho, mas com ajuda do meu irmão. Na verdade nesse CD ele tomou à frente, e fez boa parte das músicas, onde eu ajudava nas letras e arranjos. Eu tenho uma parceria muito boa com o Lúcio, que enriquece muito nosso trabalho. A grande inspiração foi o amor em si, falar do amor de Jesus, do amor pelo próximo, do sentimento mais importante que precisa permear toda nossa vida.

ItSoundsLike: Ele tem uma pegada mais britânica é em virtude da masterização lá, ou é coincidência?
Lucas Souza: É apenas em virtude de ser o som que gostamos de fazer. Como entendemos que nosso som tem essa característica britânica, apesar de nem sempre, logo ligamos isso à oportunidade de masterizar em Londres, o que concretizaria essa sonoridade.

ItSoundsLike: Abbey Road! É um sonho para qualquer um, conta pra a gente como foi que vocês conseguiram isso?
Lucas Souza: Eu recebi um convite para estar ministrando em algumas igrejas na Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça. Como estávamos por ali e planejávamos visitar um casal de amigos nossos em Londres, juntamos o útil ao agradável. Conseguimos agendar através do site do estúdio um dia no Abbey Road com o Geoff Pesche, que já masterizou de Coldplay a Radiohead, dentre vários outros artistas, e o resultado foi esse que vocês já ouviram. Foi incrível entrar lá, conhecer as salas, a história, aquilo é quase como um museu. Além de tudo, eles são incrivelmente profissionais e atenciosos, coisa rara de se encontrar num estúdio brasileiro, onde os técnicos acham que estão lhe fazendo um favor gravando seu disco. Enfim, foi bom demais!

ItSoundsLike: Indo um pouco pra sua vida pessoal, lí que você fez/faz curso de gastronomia, como é essa experiência?
Lucas Souza: É uma outra vertente do que gosto de fazer. E não deixa de ser uma experiência artística, porque numa cozinha de ponta existe criação o tempo todo. O curso é interessante, traz muita cultura também, e não deixa de ser um aprendizado.

ItSoundsLike: Quais álbuns você tem ouvido no momento?
Lucas Souza: Os principais são os lançamentos de Keane, The Killers, U2 e Mutemath, dentre vários outros. Meu iPod daria uma lista longa aqui.

ItSoundsLike: Com a chegada da internet o cenário da música mudou e muito, principalmente para quem ainda aposta no CD. O que você acha da relação: música x internet x venda?
Lucas Souza: O MP3 e o download acabaram com o CD. É a chamada pirataria final, muito mais crítica do que os discos vendidos na rua a 5 reais. Isso acabou com o mercado do CD, e não sei o que será do comércio da música no futuro. Acho que a indústria musical papou-vento literalmente, ficaram com tanto olho grande encima do CD que esqueceram de pensar numa tecnologia alternativa que pudesse manter a industria da música viva. Estou como todo mundo esperando por alternativas, já que no meio cristão é muito complicado sobreviver de shows como acontece facilmente no meio secular. Se as coisas continuarem assim, melhor será abrir um restaurante para poder pagar as contas (risos).

ItSoundsLike: Com a saída o Lúcio, com certeza houve uma grande perda técnica e de criação. Como vocês pretendem lidar com isso em shows e trabalhos futuros?
Lucas Souza: O Lúcio saiu do palco, mas não saiu da nossa vida. Ele sem dúvida vai continuar nos dando suportem em trabalhos futuros. E no palco hoje existem tecnologias que nos permitem manter a qualidade do CD com autenticidade. Além disso aos poucos eu tenho assumido o piano em algumas musicas, o que tem mudado bastante nosso som ao vivo. Eu gosto de desafios, e substituir a lacuna que ele deixou tem sido trabalhoso, mas tem nos forçado a buscar um outro patamar técnico. O que é muito bom.

ItSoundsLike: Qual seriam seus conselhos para quem está começando na música e tem esperança em viver disso? É possível?
Lucas Souza: Pense duas vezes, três, quatro, cinco vezes. Não crie ilusões. Tenha convicção de que Deus quer você fazendo isso, de que essa é a vontade dEle, ou então você vai se decepcionar muito. É preciso ter nervos de aço e muita paciência. Além disso, é um trabalho de formiga. Tem que saber juntar e guardar para o inverno, porque no Brasil as coisas só funcionam de verdade no segundo semestre. Não quero desanimar ninguém, mas não posso ser inconseqüente. E acho que o mais importante, antes de se arriscar na música, é a pessoa ter alguma formação que lhe sirva de alternativa, caso a música não seja o suficiente. É um principio de sabedoria eu acho, e no mundo hoje só sobrevive quem for sábio, já que não temos a opção de sermos desonestos, como boa parte, nem gananciosos, como os demais. Coragem!
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Vídeo: “Eu Quero Ir

sábado, 25 de julho de 2009

Fruto Sagrado anuncia saída do vocalista Marcão

No limbo desde o último álbum “Distorção”, lançado em 2005, e envolta em projetos misteriosos desde a saída da gravadora MK, em 2007, a banda roqueira carioca Fruto Sagrado, através do baterista Sylas Jr., revela em entrevista exclusiva ao dotCast, podcast do site dotGospel, que Marco Antônio (o Marcão), vocalista e baixista da banda, não faz mais parte do grupo, em função do envolvimento com o ministério pastoral. Mesmo com a mudança, Sylas destaca que os trabalhos com a banda continuam, desmentindo muitos boatos sobre o fim do grupo, e que os projetos prometidos estão em andamento, já com a presença do novo vocal, de nome ainda não divulgado. Nos planos da nova fase do Fruto estão a gravação de um CD em comemoração aos 20 anos da banda (que ainda contará com o “apoio” de Marcão), a criação de um selo próprio (responsável pelo lançamento desse CD), a estreia de um novo site, já com um domínio provisório, e o retorno às turnês de shows pelo Brasil, já com o novo vocalista.

Confira abaixo os detalhes sobre as mudanças, as explicações de Sylas sobre a demora do Fruto Sagrado em lançar algo novo aos fãs, além de outros comentários pertinentes ao futuro da banda. O texto que segue é uma transcrição da entrevista feita por Renato Cavallera, do dotGospel, ao baterista Sylas Jr. e integra a produção do dotCast 34. O arquivo de áudio completo, que tem a participação dos comentaristas Rafael “Pepe” (da banda Tecla SAP), Ana Maria Modesto (do blog Gospel Notes) e Estevão Avillez (do site It Sounds Like), está disponível para ouvir e baixar neste link. O Amplificador recomenda o download.

dotCast: Foi anunciado um projeto paralelo, um CD especial de regravações, inclusive até um DVD. Mas nada disso aconteceu. A pergunta que não quer calar é, afinal, qual a atual situação do Fruto Sagrado?
Sylas: Bem, é importante a gente frisar que esses projetos estão acontecendo. Conforme nós informamos, ultimamente, o Fruto Sagrado permanece produzindo o CD de 20 anos. Nós continuamos tocando o projeto do “Passos” e, juntamente com esses dois trabalhos, nós estamos levantando os alicerces para o nosso selo. Já o DVD, como nós estamos no momento onde há uma demanda de trabalho muito grande, porque pela primeira vez, além de sermos produtores musicais, somos também produtores executivos, então nós colocamos, temporariamente, o DVD em stand by. A questão é que nós temos hoje em nossas mãos muito trabalho a fazer e pouca mão-de-obra, mas certamente ele será executado assim que possível.

dotCast: Hoje vocês não estão mais na mídia como antigamente. A banda está sentindo isso? E se sim, de que forma? Agora que eles estão longe das lentes, o que os integrantes andam fazendo e pretendem fazer?
Sylas:
Sobre o estar na mídia ou não, para nós não faz nenhuma diferença. Nós nunca estivemos fortemente na mídia. Todos os maiores sucessos do Fruto Sagrado jamais tocaram em meios de comunicação renomados, com exceção das rádios comunitárias. Ou seja, nós continuamos com a melhor divulgação que sempre tivemos, que foi o boca-a-boca dos fãs. A própria internet, hoje, é um reflexo disso. Nós não paramos de estar nos debates sobre o que estamos ou não fazendo, ou se a banda acabou ou não acabou. Nenhuma mídia está fomentando essa discussão. Ela é feita somente por pessoas que se interessam pelo Fruto Sagrado. E sobre a questão do que estamos fazendo no momento, repito pra vocês: continuamos trabalhando nos projetos do Fruto Sagrado, firmemente.

dotCast: Cara, e atualmente, quais são os projetos futuros da banda?
Sylas: Bem, como falei anteriormente, em primeiro lugar lançar o CD do Fruto Sagrado de 20 anos, juntamente com um selo [independente], depois disso, lançarmos o projeto “Passos” juntamente com outras bandas que nós já estamos em contato. E, num futuro próximo, bem próximo, assim que possível, nós vamos voltar a fazer os nossos shows e, se Deus quiser, fazer uma turnê pelo Brasil.

dotCast: Muita gente especulou, xingou e até acusou o Fruto Sagrado por causa desse meio “hiato” que as pessoas estão na cabeça e andam dizendo. Muitos chegaram até a dizer que estavam decepcionados e chateados com a banda. O que vocês tem a dizer sobre isso e para essas pessoas?
Sylas:
Olha, certamente, as pessoas que, conforme foi feita essa pergunta, as pessoas que xingaram a banda não são fãs da banda. Porque eu sei o que é ser fã e jamais faria isso com a pessoa da qual eu sou fã. Sobre a questão do “hiato”, isso não está em nossas mãos, porque nós temos um tempo para fazer as coisas. Hoje, como eu falei anteriormente, nós não somos apenas produtores musicais. Antes, quando nós estávamos ligados a alguma gravadora, nós apenas nos preocupávamos em produzir musicalmente o nosso trabalho. Hoje não é assim. Hoje, nós estamos lançando, juntamente com o CD, um selo. Então, é necessário que nós façamos tudo da maneira como precisa ser feito. Se é necessário que nós esperemos um pouco mais para lançar o CD do Fruto Sagrado, nós temos que esperar, porque a demanda de trabalho tem sido muito grande. E nós não vamos, de maneira alguma, queimar a qualidade do trabalho porque existem pessoas com pressa. Nós não podemos fazer isso. Nós temos um compromisso com a nossa missão. E a Bíblia fala que há tempo para todas as coisas. Então, se esse é o tempo de o Fruto Sagrado trabalhar os alicerces, é exatamente isso que nós vamos fazer. E assim que for possível, e a gente espera que seja num tempo breve, nós vamos lançar o nosso trabalho, mas não apenas o nosso trabalho, nós vamos colocar todo o projeto, do qual nós estamos falando, para funcionar. Todo alicerce, toda casa quando é construída, ela primeiro é construída para baixo, ela leva um tempo, depois as paredes são colocadas, e o teto, e acabamento. Hoje, nós estamos nessa fase do alicerce, mas assim que nós sairmos, certamente as pessoas vão se surpreender com o tamanho desse projeto que nós estamos concretizando.

dotCast: Silas, muitos atribuem a religiosidade com a causa das guerras entre os cristãos. O quê que você acha? Essa é a verdadeira causa? Qual é sua opinião? Você acha que tem alguma coisa a mais?
Sylas:
Bom, a causa da guerra entre os irmãos cristãos não é a religiosidade em si, mas sim aquilo que o ser humano é em sua natureza. Então, se o mundo ainda é mau, o culpado está diante do espelho.

dotCast: A pergunta que todo mundo pede para fazer aos artistas. O quê que você acha da música gospel? Tem tanta “chuva”, “fogo”e “minha casa que não sei o quê”, e “céu, céu, céu, céu, céu...”. O quê que você acha, sério?
Sylas:
Sobre “chuva”, “fogo”, “céu”, eu acho que cada um tem que responder por si. Eu acho que existem coisas boas e ruins na música gospel, assim como existem coisas boas e ruins na música secular.

dotCast: E o rock, o rock mundial hoje, cara? Muitas pessoas dizem que meio que está vivendo um “revival”, onde o som que era tocado há 20/30 anos atrás é o que está fazendo sucesso. Bandas já finadas estão voltando e pegando carona nesse sucesso. Até o Oficina G3 que reavivou o som que tocavam no fim da década de 80. Muitos dizem que é crise de criatividade, outros que é uma tentativa de salvação do mercado musical que está muito ruim. Já alguns músicos crêem que isso é uma oportunidade. O quê que o Fruto Sagrado acha?
Sylas:
Sobre a questão da falta de criatividade, eu acho que essa é uma análise de pessoas que não conhecem o assunto. Críticos, repórteres, não sei. Porque todos sabem que, para um músico se formar, ele precisa de ter influências. Para uma banda acontecer, a influência é fundamental. Ninguém cria nada do zero. Quando nós olhamos para trás, para os anos 80, 90, 70, 60, nós, na verdade, apenas enxergamos uma fonte inicial. Essa fonte ela é fundamental para que haja inspiração para aquilo que nós fazemos hoje. É um ponto de partida, na verdade. Se nós olharmos, até mesmo a questão da história, nós vemos filósofos que discorreram sobre vários assuntos, mas, muitas vezes, eles foram em fontes do passado para se inspirar naquilo que eles estavam filosofando. Ou até mesmo nós vemos teólogos hoje que vão até Calvino, mas a gente não pára para perceber que Calvino foi até Agostinho, Agostinho olhou para trás e viu o apóstolo Paulo, que olhou para trás e viu os profetas, viu Moisés. Então, esse é um movimento natural da humanidade. Nós precisamos, sempre, olhar para trás para seguirmos adiante.

dotCast: O Radiohead lançou um álbum ao estilo “quer pagar quanto”. Cada vez mais bandas largam as gravadoras para lançarem de forma independente. Bandas novas e de qualidade se encontram, hoje em dia, na internet. As gravadoras estão realmente acabando?
Sylas:
Bem, eu entendo que as gravadoras nos moldes antigos, dos anos 80 e 90, elas realmente estão acabando. A gente, como disse a própria pergunta, a gente vê um movimento novo de bandas que estão, ou se lançando de modo independente ou abrindo um próprio selo. E o Fruto Sagrado faz exatamente esse movimento. É uma banda que monta uma estrutura para dar o suporte a ela própria e a bandas que sejam ou estejam relacionadas ao mesmo tipo de música. Então, certamente, o mercado da música está num molde diferente. Nós não sabemos o tamanho dessa mudança, mas o importante é que realmente há uma mudança e a necessidade das bandas, que hoje já estão estabelecidas, de se adequarem a esta realidade.

dotCast: O Oficina G3 recentemente adicionou um novo vocalista na banda e deu certo, não só sendo um sucesso de crítica como de público também. Se o Marcão resolvesse sair do Fruto Sagrado, haveria alguma chance de ser incorporado um novo vocalista na banda?
Sylas:
Bem, não só haveria a possibilidade como [de fato] isso aconteceu. O Marcão, oficialmente, não faz mais parte do Fruto Sagrado e hoje o Fruto Sagrado conta com um novo vocalista. O Marcão ainda se comprometeu a nos dar um apoio neste CD, porque nós trabalhamos muitos anos juntos, e nós temos certeza do amor dele por este ministério e ele se prontificou a estar com a gente, porque ele é uma pessoa importante, um membro eterno do Fruto Sagrado. Mas ele, hoje, decidiu não estar mais na linha de frente conosco. Sendo assim, nós temos hoje um novo vocalista, que não apenas está cantando este CD novo com a gente como também vai fazer parte de nossas turnês pelo Brasil a partir de agora.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Entrevista: Pr. Cris (Filhos do Homem)

Concedida ao jornal Folha de Rondônia

O Ministério Filhos do Homem participou na última quinta-feira, 11/06, da Marcha para Jesus em Porto Velho, capital de Rondônia, que segundo a Folha de Rondônia, contou com mais de 60 mil pessoas. Em entrevista ao jornal, o pastor Cristiano Batiston contou como tem sido sua vida cristã e a trajetória do ministério. Confira:

O líder do Ministério Filhos do Homem, Cristiano Batiston, conhecido como pastor Cris, é de Pato Branco (PR). O pai Eliseo Batiston também é pastor. Casado, tem um casal de filhos (a menina Lara Raquel ainda não tem nem uma semana de vida). O ministério tem nove CDs e três DVDs. Esta foi a 8ª vez que o grupo veio a Porto Velho e a 3ª que participou da Marcha para Jesus, realizada na última quinta-feira. Além de diversos estados do Brasil, eles já ministraram em Portugal, EUA e Londres. Nesta Marcha estiveram Fabrine (back), Jader (contrabaixo), Fabiano (teclado), Ribamar (bateria) e Adriano (guitarra).

Folha: Como surgiu o Ministério Filhos do Homem?
Pastor Cris: O início do Ministério se confunde com o da Comunidade Cristã Vida para os Povos de Pato Branco, no Sudoeste do Paraná. No começo eram menos de 30 pessoas que se reuniam para louvar o Senhor ao som de um violão amplificado por um aparelho de som 3X1, tangido pela pastora Clotilde Batiston. Naquela época a igreja profetizava que Deus levantaria músicos ungidos e que seus instrumentos seriam os melhores. O tempo foi passando e assumi o louvor na igreja liderando os adolescentes. Naquele tempo estava iniciando um movimento de rock gospel no Brasil. Influenciados por este momento, além de tocar na igreja, nós sonhávamos em “montar” nossa banda gospel o que nos levou a participar de inúmeros shows de bandas. Porém, em cada show era sempre tocada alguma música de louvor. Mostrando que o chamado não era apenas para rock evangelístico.

Folha: Então a partir daí teve início o Ministério?
Pastor Cris: Aconteceu assim: No carnaval de 1997, o pastor Eliseu, que morava em frente a um clube da cidade, indignado com as letras sensuais das músicas de carnaval foi ao clube e subiu no palco. Falou ao ouvido dos músicos dizendo que eles eram talentosos demais, mas que seus talentos estavam ajudando a pregar o mal. Disse que Deus tinha algo diferente para cada um deles. Como resultado dessa ousadia, aos poucos todos os músicos daquela banda e suas famílias foram se convertendo ao Senhor Jesus. Alguns destes músicos, depois de um bom tempo de discipulado, passaram a integrar o grupo e então vieram as letras e o primeiro CD no estilo rock evangelístico. Quando o CD “Mundo Coliseu” estava pronto para ser reproduzido o Senhor trouxe uma nova visão de ministério dando uma direção para que todo o trabalho fosse ofertado ao Senhor e o lançamento cancelado. O CD até hoje está nos cofres do ministério. Então, aquele grupo de adolescentes roqueiros que se reunia em meados de 1995 tornou-se o Ministério Filhos do Homem. Adoradores desejosos de servir ao reino do Pai como Jesus serviu, ganhando, discipulando e enviando outros músicos.

Folha: Qual a missão do Ministério?
Pastor Cris: Já temos 15 anos de estrada. O ministério nasceu com um objetivo: salvar e restaurar a vida de músicos, dançarinos e técnicos e levá-los a serem adoradores. Então Deus deu-nos um sonho: descobrir qual era a visão Dele a respeito da verdadeira adoração e realizá-la em sua igreja e na nação. Isso mudou a inspiração inicial de “rock gospel” para um desejo insaciável de ver Deus manifestando Sua presença na adoração de seu povo. Trouxe-nos uma palavra: “Tal como o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt: 20:28) e nos deu uma missão: despertar esta geração para santidade, adoração e multiplicação através das artes relacionadas com música e danças.

Folha: Vocês sempre estão envolvidos em Marchas para Jesus. Só em Porto Velho é a terceira. Em quantas marchas já participaram?
Pastor Cris: Participamos de Marchas para Jesus há 10 anos. Fazemos por ano uma média de quatro a oito.

Folha: Como vê a questão da Marcha para Jesus em relação ao reino de Deus?
Pastor Cris: Tenho visto como Deus preparando a Noiva e equipando para o tempo de perseguições.

Folha: Qual o mais recente CD e qual mais o marcou?
Pastor Cris: O Filhos do Homem II – “Mãos Limpas” – foi o que mais o marcou. Foi uma época que Deus nos tirou da infância e nos levou à maturidade. Ficamos dias jejuando e houve curas e milagres com pessoas tomadas pelo Espírito Santo por até quatro dias. No final de 2008 lançamos pela Gravadora MK, o CD “Seremos Um”.

Folha: Do Ministério Filhos do Homem surgiram outras bandas? Quais são?
Pastor Cris: Odres Novos, Marcus e Taty, Samuel Barbosa, Os Ovelhas e a Comunidade Cristã Vida Para os Povos.

Folha: Também gravaram um MP3 com 74 músicas do Ministério Filhos do Homem? Por quê?
Pastor Cris: Queremos que o povo de Deus pare de aderir à pirataria. Com essa gravação em MP3, vai comprar seis CDs pelo preço de um. O povo de Deus precisa saber que além da pirataria ser crime, ainda atrai maldição financeira para a vida da Igreja.

Folha: Como avalia a vida cristã?
Pastor Cris: Para vencermos as lutas precisamos estar em constante jejum e oração. O cristão precisa viver todos os dias como se Jesus fosse voltar amanhã. Somos guerreiros da última geração. Está mais do que na hora da Igreja tomar um posicionamento e parar de imitar o mundo e passar a imitar a Jesus. Intimidade com o Senhor Jesus é para aqueles que realmente O buscam.

Folha: Como você vê o povo evangélico de Rondônia?
Pastor Cris: O que pudemos notar no povo evangélico de Porto Velho foi um amadurecimento espiritual. Antes as pessoas vinham para ver um show e pedir autógrafos. Agora a gente nota um povo sedento da presença de Deus, um povo que canta as nossas músicas em adoração a Jesus.

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O ministério Filhos do Homem será uma das bandas presentes na Marcha Para Jesus em Joinville (SC). O evento acontece dia 4 de julho.

(Via MK Music)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Entrevista: Carlos "Tomati", o guitarrista do Jô

Por Rafael Porto (http://www.alforria.net/)

Quarenta e três anos de idade, 38 dedicados à música. Este é Carlos Nascimento Tomati, mais conhecido como o 'guitarrista do Jô'. Mundialmente respeitado pela maneira como extrai melodias de seu instrumento, Tomati morou nos EUA em 1987 e estudou com grandes nomes da música, dentre estes Scott Henderson, Frank Gambale, Paul Gilbert e Joe Pass.

Não conhece ninguém? Calma. Tamanha dedicação - o brasileiro estudava 15 horas por dia - e talento foram reconhecidos por um dos mais famosos guitarristas do mundo: Joe Satriani. Em entrevista ao Programa do Jô, o americano fez uma jam com Tomati, que posteriormente foi elogiado no site oficial de Satriani. O que poucos sabem é que a vida de Tomati além do talk show ruma horizontes muito mais amplos. Seu flerte com o jazz, misturado às influências de música brasileira que o acompanham desde a infância - quando aos cinco anos ainda arranhava um Tom Jobim ao violão - deram sonoridade única às composições do artista. Mas nem só de poesias e harmonias sobrevive o ser humano.

No âmbito espiritual, o guitarrista, compositor, produtor e cantor fala abertamente de suas crenças e sua identificação com o Cristianismo - Tomati foi integrante do Katsbarnea por um ano. "Lord's Children", seu terceiro disco solo, lançado em 2005, é pouco conhecido. Uma pena, porque o álbum é - em minha opinião - o melhor instrumental cristão já lançado no Brasil e um dos melhores do meio secular. O disco funde rock, samba, jazz e black music. As guitarras realmente parecem falar, expressando sentimentos que algumas letras não conseguiriam externar. Entretanto, se engana quem pensa que as músicas cantadas soam fracas em meio ao disco. Ao contrário, as letras versam sobre amizade entre irmãos e amor a Deus de maneira peculiar. "Irmão, não devemos odiar, apenas amar uns aos outros. Perdoe minhas falhas e diga que continuamos irmãos", canta Tomati no melhor estilo de blues americano, entitulado Brotha. Ouça, encante-se e providencie seu disco o mais rápido possível. Confira a seguir, a entrevista dada pelo Tomati, ao Rafael do Alforria:

Alforria: Seu último trabalho, Lord's Children, fala de pontos essenciais do Cristianismo, como guardar a Palavra que Jesus ensinou. Você é um 'crente' frequentador de igreja ou prega por se identificar com a ideologia cristã?
Tomati: Esse ponto essencial que você citou, está na música "God is Love". A estória dela foi contada na revista [que acompanha o CD. Nela Tomati revela ter feito a canção para um festival de música gospel, que acabou não ganhando [veja o vídeo no YouTube]. Já frequentei igrejas, toquei em bandas, em louvores, conheço várias religiões, preguei para amigos e inimigos, etc. Minha intenção era fazer um disco com amigos músicos consagrados e da nova geração, em uma revista bilíngue que pudesse ser útil no aprendizado da língua norte-americana, com uma mensagem limpa e boa música, contando um pouco da minha trajetória profissional em fotos e textos escritos por mim. Um disco muito especial e ingênuo. Muita gente se identifica com a mensagem e muita gente não gosta. É só um ponto de vista. Eu gosto da música e do solo dela e isso é o que importa pra mim. Retrata uma época da minha vida e está registrada na sonzera.

Alforria: Para você, o que um bom guitarrista cristão precisa ouvir?
Tomati: Tudo. A música transforma, ensina, educa. Estudar é fundamental. A música é minha religião, nela vejo DEUS [sic].

Alforria: A música evangélica está absorvendo as mudanças da música secular. Hoje em dia, é raro achar uma igreja que não toque rock, por exemplo. Como avalia estas mudanças?
Tomati: Acho que é para atrair um publico roqueiro. Na Igreja Betesda, participei de louvores com belas composições do meu amigo Miguel Garcia, com muita harmonia de jazz, letras super poéticas e solos que talvez não alegrassem a roqueiros. E também é preciso rever o conhecimento musical dos levitas. Às vezes toca-se o rock na igreja para se parecer moderno, mas ao mesmo tempo com guitarras desafinadas sem o esmero musical, visando apenas o lado comercial. Isso não é legal. Eu percebo na hora e acho que outros músicos também. Rock'n Roll é uma religião por si só, um estilo de vida, não só um estilo musical. Com certeza tem muita eletricidade e isso vibra.

Alforria: Sofre preconceito por tocar música secular no 'Programa do Jô'?
Tomati: Quem tem pré-conceito deve rever seus conceitos. O Programa do Jô para mim tem sido como uma grande escola de teatro, iluminação, produção, humor, relações publicas e muito mais. Estou no programa há 11 anos e tenho muito orgulho do meu trabalho em uma das maiores emissoras de televisão do mundo, a Rede Globo. Além disso, também trabalhei um ano e meio no SBT.

Alforria: O que acha dos músicos que dizem tocar sem ensaiar, guiados apenas pela 'unção'?
Tomati: Só se toca sem ensaio quando se tem enorme intimidade com a música em questão. Não se faz isso em qualquer situação musical.

Alforria: Quando compõe suas canções, parte primeiro das letras, melodias ou harmonias?
Tomati: Das três maneiras. Cada música tem sua particularidade.
alforria: Está trabalhando em um novo disco? Quais são os planos futuros? Tomati: Preciso vender mais "Lord's Children" primeiro, para capitalizar. Ideias tenho de sobra, dá pra fazer mais uns cinco discos, mas como "Lord's Children" ficou um tempo nas bancas e saiu, sendo vendido agora só por mim e amigos que compram para revender, os lucros ficaram basicamente com a editora que apoiou o projeto e teve gastos com ele. Gravei mais um disco de música brasileira depois do LC com Michelle Spinelli, minha companheira, que nos rendeu alguns concertos em Nova York e a possibilidade de gravar clássicos de poetas e compositores da MPB e Bossa Nova, com belas interpretações na voz de Michelle e um instrumental fusion 'di catiguria'. Estou terminando um projeto de uma guitarra desenhada com o luthier Marcos Sanches 'Joker', que poderá ser visto esse ano no Programa do JÔ: a GT FU510N.

Alforria: Muito obrigado pela entrevista.
Tomati: Obrigado pelo interesse. Abraço a todos, Paz!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Entrevista: Third Day

John DiBiase, do Jesus Freak Hideout, fez recentemente uma entrevista com Tai Anderson, baixista do Third Day. Na conversa, o músico fala sobre o último álbum – Revelation –, os projetos para 2009, as atualidades da música cristã contemporânea e a maturidade do grupo após doze anos de carreira.


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No verão de 2008, a banda de rock de Atlanta Third Day divulgou aquele que pode ser considerado seu melhor trabalho com Revelation - um álbum que faz a banda retornar mais às raízes do rock sulista, com uma originalidade peculiar. Recentemente falei com o baixista Tai Anderson para discutir o álbum, a banda, o próximo projeto ao vivo – Revelation Live – e muito mais.

Jesus Freak Hideout (John DiBiase): Depois do sucesso de Wherever You Are, qual a linha musical que segue o novo álbum Revelation? É realmente o mais cru e de raiz para o Third Day?
Tai Anderson: Wherever You Are ficou muito identificado por todos os nossos fãs e a banda pelos dois radio singles: "Cry Out To Jesus” e " Mountain Of God". Essas canções foram importantes para a nossa carreira, mas definitivamente mostraram nosso lado mais maduro. Depois de experimentar essas canções e fazer o registro de alguns anos, nós estávamos prontos para balançar as coisas um pouco. Colocando em Cronology alguns registros logo após Wherever You Are a banda tinha realmente sentido como precisávamos reapresentar o grupo para o mundo. Internamente, certo ou errado, nós sentimos que se Revelation não levantasse algumas sobrancelhas e surpreendesse as pessoas um pouco mais, nós tínhamos uma boa chance de se tornar irrelevantes como banda. Eu gosto de dizer quando estamos trabalhando na música que "é preciso reunir as pessoas onde elas estão, mas temos de levá-las em algum lugar". Se você der aos fãs apenas o que eles pedem, eles ficarão ressentidos por isso. Revelation foi nossa tentativa de fazer isso.

JFH: Como Lacey Mosley do Flyleaf veio a participar do Revelation? Parece pouco provável uma parceria com o Third Day, mas a voz dela ficou maravilhosa com Mac [Powell] em "Born Again"...
Tai: Isso veio totalmente do nosso produtor, Howard Benson. Éramos todos muito familiarizados com o Flyleaf. Mas, quando estávamos fazendo nossa primeira pré-produção com Howard, ele tocou uma parte de "All Around Me" para nós. Eu fui levado para longe. Ouvi a música como louvor que descrevia um encontro com Deus de uma forma muito singular, pessoal e possível. Era muito diferente de tantos clichês de adoração que ouvi na rádio ao longo dos anos. Quando fomos gravar "Born Again", pensamos que poderia funcionar muito bem como um dueto. Howard sugeriu Lacey, daí todos nós entramos no jogo. Muito da música do Flyleaf é tão agressivo. Penso que nossa música direcionou grandemente para o seu lado mais tranqüilo. Lacey é realmente uma boa cantora, e eu acho que fiquei invisível nas faixas que ela cantou com a gente. Ah sim, ela foi a principal a cantar em “Born Again" – e ainda tivemos “Run to You" como bônus! Por ela, eu tenho que deixar sua resposta. Mas, ela compartilhou conosco o que nossa música tinha feito na vida dela quando ela era uma adolescente, o que foi muito inspirador para nós, como afirmação de que estávamos na direção certa com nosso trabalho.

JFH: Quanto do impacto do produtor Howard Benson tem sobre o álbum Revelation? Como foi o processo de fazer este disco diferente dos anteriores?
Tai: Você sabe, nós ainda escrevemos as músicas. Mas não posso salientar satisfatoriamente o importante papel que ele desempenhou. A principal contribuição foi pela triagem muito eficiente entre 40 canções que tínhamos compilado. Podemos ser politicamente corretos quando se trata de selecionar músicas. Howard não era como um cão de guarda. Então, ele ficava muito mais que feliz quando era para informar, com absoluta certeza, sobre músicas e canções que definitivamente não deveriam ser gravadas. Assim, fomos capazes de concentrar nossos esforços sobre o melhor material desde o começo.

JFH: O que inspirou a arte do álbum Revelation?
Tai: Fizemos o vídeo de "Consuming Fire" em Salton Sea, no sul da Califórnia. No ano passado, vimos um documentário sobre a área que apresentou Salvation Mountain ou Trash Mountain. Havia simplesmente uma coisa louca e linda sobre aquele lixo e alguma coisa bonita por fora daquilo. Algo do tipo assustador, mas também atraente sobre um homem, capaz de empenhar a vida na construção de algo como isso. Acho que um monte de gente escuta a mensagem da nossa música, e sinto da mesma maneira. Nós gastamos muito tempo na Califórnia para fazer as gravações e, logo após, quando chegou a hora de fazer uma apresentação, estávamos na Califórnia na Casa do Blues cercados por arte popular a cada dia. Mac teve a idéia original de usar imagens da Salvation Mountain, que era o título do nosso trabalho até a gravação da música “Revelation”. Assim que as imagens foram divulgadas, comecei a ler críticas de que nós tínhamos copiados do álbum Hail To The Thief, do Radiohead. Quando você colocar os dois lado a lado, as semelhanças são óbvias. Mas nós não pegaríamos referências externas quando estamos aprimorando projetos e idéias que nossa equipe de designers desenvolve. Eu estava mais preocupado com a presença do vermelho, ultimamente tão comum para o U2 e o Green Day. Fazendo uma retrospectiva, provavelmente teria usado uma das outras imagens da embalagem na capa, só assim não teríamos de ler a uma estrela de críticas no iTunes, que nunca foram a respeito da música, era só cobrir o álbum. Porém, tirando tudo isso, penso que é um dos nossos mais interessantes encartes. Quem sabe quanto tempo restará para a música ainda ser embalada em álbuns, é legal ter uma espécie de capa que sintetize que... um projeto é feito de canções individuais.

JFH: Existe alguma música em Revelation que seja mais importante para você? E por quê?
Tai: Provavelmente "Revelation". Só que isto é tão instável. As pessoas muitas vezes acusam os músicos cristãos de serem arrogantes, como se nós tivéssemos todas as respostas. "Torne-se um cristão, e você não terá nenhum problema." Com "Revelation", nós estamos apenas pedindo humildemente e admitindo que temos mais perguntas do que respostas. Deus coloca uma luz para os nossos pés, e não um refletor para o nosso futuro. Acho que Deus quer que nos voltemos a Ele para que Ele possa nos ajudar.

JFH: No novo DVD Christmas Offerings (e mesmo ainda em alguns shows ao vivo), Mac introduz você como o líder da produção da turnê. Você fazer isso em cada turnê e como é ser o primeiro a estar fazendo isso?
Tai: Eu sou apenas o indivíduo que sempre tem ideias para a banda. Admito, a maioria deles é ruim! Eu venho com ideias e entrego para uma grande equipe fazê-las melhor. Sou a ponte da produção para a banda e nosso material. Na nossa primeira grande turnê, nós abrimos para o Newsboys. Eu ficava separado pela produção a cada noite. E ainda fico. Depois disso, saímos para a Conspiracy Tour. Eu comecei a levantar ideias de como poderíamos representar a música naquela época do ano. Acabei achando gratificante vendo que essas ideias vêm por uma fruição. Na turnê Come Together eu estava mais envolvido, e certamente essa foi minha produção favorita entre todas que fizemos. Eu considero isso como uma maneira de lidar com diferentes cenas para diferentes canções.

JFH: Orçamento à parte, o que é que você gostaria de fazer numa produção de turnê do Third Day?
Tai: Muita coisa. Adoro dar às pessoas mais do que o esperado. Fomos capazes de ter uma grande escala de produção no Music Builds Tour, e com vídeo, você pode realmente ter um clima diferente de canção para canção. Com um orçamento ilimitado, eu adoraria ter nosso próprio palco, onde poderíamos fazer coisas muito legais com diferentes performances por toda a arena. Sei que isso é um clichê do rock´n roll, mas sendo alguém, gostaria de expandir algumas coisas também.

JFH: The Music Builds Tour foi uma experiência incrível. Nós ouvimos dizer que isso é algo que o Third Day pode fazer anualmente a partir de agora. Há alguma verdade nisso?
Tai: Ainda estamos conversando e sonhando sobre isso. Honestamente, seria difícil bater o nível de apresentação deste primeiro ano! Mas, eu adoro tocar fora dos ginásios. Um grande show, com grandes bandas, que também estão retornando à comunidade...

JFH: Em abril, o Third Day estará liberando o projeto Revelation Live. Será que isso veio a partir do Music Builds Tour? Se sim, vai ser um show em particular ou um conjunto de apresentações em diversas datas? E vai incluir as mesmas músicas?
Tai: O projeto está sendo chamado de Revelation Live e irá incluir um CD ao vivo, bem como um DVD que é tanto um filme documentário como um concerto. Não sei se teremos espaço para incluir o encore de Revelation, mas a música é tirada a partir de cinco diferentes shows do Music Builds Tour. A filmagem parece incrível, apesar de tudo. Está tranquilamente com o dobro de qualidade de qualquer coisa que eu já vi em nosso mercado e, mais ainda, com coisas que eu só tenho visto no U2 e no Coldplay.

JFH: Durante o ano, você falou sobre a antecipação do USO [United Service Organizations] Tour e trazendo experiências de vida com isso. Como é que surgiu a oportunidade? E isso é alguma coisa que a banda pode voltar a fazer parte algum dia?
Tai: Demorou cerca de quatro anos para fazermos juntos essa viagem. Havia uma verdadeira resistência de líderes militares a serem associados com algo marcado como “cristão", especialmente durante o atual conflito na região muçulmana. Estávamos recebendo muitas cartas de soldados nos pedindo para participar, e dizendo que a nossa música estava fazendo uma diferença para eles. Então, quando a oportunidade tinha sido confirmada, a gente se jogou nisso. Era muito ser a primeira banda cristã a tocar numa zona de conflito. Este feito histórico enquanto nós estávamos lá, e saímos com uma valorização de nossos soldados que espero nunca perder. Já estamos falando de voltar a tentar novamente no próximo ano.

JFH: Quais são as suas reflexões sobre a evolução da música e da indústria cristã? O Third Day estreou em meados da década de 90, a música como um todo foi muito saudável para ser o que ela é hoje. Devido a isso, desde então a Contemporary Christian Music (CCM) tem ramificações além de seu mainstream e parece haver um monte de gente tentando descobrir o que fazer com a indústria da CCM, com algumas intenções que não deveriam existir. Eu era muito influenciado pela música cristã quando vim para Cristo, no início dos anos 90 e, claro, tenho sentimentos confusos sobre alguns padrões que se estabeleceram (isto é, a profanação em alguns álbuns, a baixa qualidade espiritual nas músicas de rock, etc) ou a ideia de que o rock cristão não deveria sequer existir. Eu sei que essa é uma questão já bastante discutida, mas você tem alguma opinião sobre o assunto?
Tai: Essa é uma questão já muito discutida. A indústria da CCM foi o veículo através do qual nossa música encontrou uma audiência. Então, fico hesitante em fazer uma série de críticas. Existem vários lados que precisam ser considerados nas discussões sobre CCM. Não é difícil olhar para qualquer gênero de música e achar coisas passíveis de críticas. Arte e Comércio estão sempre em disputa. Quando você joga a fé na mistura, é como se jogasse jogo na gaiola. (Desculpem a referência, sou um “hulkmaníaco” de coração (?)). Acho que a nossa abordagem sempre foi a de que a crítica é muito fácil. É preciso muito mais coragem de dizer "sim, existem alguns problemas e conflitos inerentes à CCM, mas nós estamos trabalhando para torná-la melhor de dentro para fora". Isso é realmente mudar o modo de como as coisas acontecem, de trabalhar para tornar as coisas melhores e não simplesmente atirar pedras. Penso que fizemos a CCM melhor. Quando você olhar de onde a CCM começou, quando não havia praticamente nenhum sucesso em todas as bandas e a música foi muitas vezes criticada como se estivesse a dez anos atrás do tempo. Agora, doze anos depois, as bandas e artistas que têm uma fundação em nosso gênero estão criando músicas importantes em grande quantidade para diferentes segmentos comerciais. Tivemos uma parte nisso e estamos orgulhosos. Agora, muitas dessas mesmas bandas têm algumas razões legítimas, espiritualmente, artisticamente e economicamente, para não estarem também vinculadas à CCM. No entanto, o Third Day, até mesmo em nosso nome, está atrelado ao núcleo da CCM, o que nós escolhemos foi não lutar contra o rótulo. Há alguns equívocos ruins que vêm com ele. Mas ele também traz uma série de aspectos positivos também. Eu já fui bastante hostilizado, tive que agradecer acomodação e recepção de rock clubes fedidos (?) e limpar as igrejas aonde nós íamos quando estávamos começando. Nosso público é muito favorável. É ele quem nos dá suporte. Eu não o trocaria por nada.

JFH: O que significa para vocês serem chamados de "banda cristã"?
Tai: Para nós, há sempre essa expectativa de que com sucesso seríamos tentados a perder então esse rótulo de "cristão". A cenoura balançando para o Third Day tem sido sempre entender que éramos bons o suficiente, que se apenas nós estabelecesse o espiritual um pouco a frente, mais sucesso nós estaríamos conseguindo. Portanto, para nós, chamar de uma "banda cristã" é afirmar que ainda estamos não só absolutamente dispostos, mas orgulhosos em associar nossos esforços com a causa de Cristo. Isto é, continuamos a orar para que a nossa música e nossos shows convidem as pessoas a se aproximarem de Deus. Isso significa que ainda lutamos para viver uma vida digna de ser reconhecida com “cristã”. Em última análise, não deve ser apenas um título que damos a nós mesmos. Deve ser um título que as outras pessoas nos dêem ao nos encontrar. Deveria haver uma diferença em nossas atitudes. Deve haver algo elogiável na maneira como lidamos com populações locais, promotores de eventos, motoristas, fãs e profissionais de estúdios. Mesmo eu que digo isso, estou consciente de que é provavelmente muita coisa para se viver. Nós já faremos metade do caminho fazendo um trabalho decente na metade do tempo. Acho que continuar sendo uma “banda cristã” possa significar uma besteira, mas vamos continuar tentando.

JFH: Que música você tem ouvido mais recentemente?
Tai: Eu tenho dado uma espécie de pausa musical desde o final da turnê Fall. Eu não comprei nenhum disco nas últimas semanas. Meu playlist atual está no meu iPod e consiste basicamente em Needtobreathe, Coldplay, The Killers, Brandon Heath e um pouco de Keith Urban que tenho encontrado através de minha esposa.

JFH: Como você se mantém espiritualmente focado na estrada? (E você tem algum conselho para os fãs se manterem espiritualmente focados durante as ocupações do dia-a-dia)?
Tai: Esta questão sempre pressupõe o que fazemos! Sabe, quando você diz "espiritualmente centrado", a questão é "sobre o quê?" Pelo que eu digo "Jesus". É fácil quando você está cercado por cristãos ser espiritualmente centrado na teologia, obras, ou mesmo buscando ser espiritualmente focado. Para mim, estar focado é reservar algum tempo de cada dia para refletirmos sobre Jesus. Sua vida, sobre o que Ele tem falado. Penso que isso é universal. Se você está dirigindo um caminhão, ensinando uma classe ou tocando uma guitarra ou baixo, você precisará passar algum tempo todos os dias para pensar na graça que Deus nos deu através de seu Filho Jesus.

JFH: O que Deus tem ensinado a você ultimamente?
Tai: Minha última resposta só foi descoberta hoje, e eu ainda estou tentando compreender.

JFH: O último comentário?
Tai: Obrigado pelo início da terapia 2009. Estamos animados para pegar a estrada do Revelation Tour e sinto que o mundo está apenas começando a ouvir a música do Revelation. Penso que um grande número de pessoas irá encontrar vários incentivos em “Revelation”, "Born Again" e "Take It All". Espero que possamos continuar a reunir as pessoas onde elas estão, mas tenho esperança e oro para que nós continuemos a tê-las em algum lugar e a nós mesmos a cada novo tempo.

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Fonte: Jesus Freak Hideout
Tradução livre

[jb]

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