sábado, 10 de janeiro de 2009

Sobre mim: relatos autobiográficos em mi menor

Sobre o autor: João Batista (JB) é jornalista formado pela Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, de Joinville (SC). Membro da Igreja do Evangelho Quadrangular do Aventureiro, gosta de acompanhar as novidades da (boa) música cristã, principalmente sobre as bandas de rock (e mais especialmente sobre bandas com vocais femininos). Integrante do grupo de poetas Zaragata, também se arrisca na escritura de poemas, crônicas e outros textos literários. É admirador da literatura de José Saramago, da música do Pato Fu e fã entusiasta da banda Jars Of Clay (e de outras trocentas bandas, do pop ao metal). Trabalha com assessoria e serviços de comunicação.


A História Toda (Ou Quase)

Meu nome é João Batista da Silva: isso explica a alcunha de “jotabê”. Nasci ouvindo o barulho da chuva no dia 7 de junho de 1981, no hospital São João Batista (e isso explica a origem peculiar do meu nome) em Imaruí, uma cidadezinha de colonização açoriana, nascida como Freguesia de São João Batista de Imaruí, hoje com cerca de 10 mil habitantes, localizada no sul de Santa Catarina. Em algum dia de 1988 meus pais decidiram abandonar a vida na lavoura e nos mudamos para Joinville, no norte do estado, onde estamos até hoje. Me considero um joinvilense de coração. Gosto da cidade onde vivo, onde cresci, onde iniciei meus estudos, onde comecei a trabalhar e onde continuo a construir meu viver. Foi aqui, na cidade da chuva, que conheci o Evangelho e fiz minhas importantes amizades.

Em 1992 meus pais, católicos tradicionais, se converteram na recém inaugurada Igreja do Evangelho Quadrangular do bairro Aventureiro, zona leste da cidade, por conta de milagres de cura recebidos. Eu, o caçula da família, muito ligado aos meus pais e, particularmente, à minha mãe, fui na sombra deles. No final de 1993, tomei a decisão do batismo e, desde então, permaneço na mesma igreja até hoje. Foi participando dos cultos de jovens e de retiros que meu gosto pela música na igreja se iniciava. Na verdade, percebo isso hoje, mas naquele momento não tinha muita consciência do que de fato gostava ou não. Tudo era experimentação.

Música, religiosa ou não, é arte. E tudo que é arte me atrai. Mesmo antes de estar na igreja, e mesmo algum tempo depois, gostava de música sertaneja, de duplas em especial, como Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó, Chrystian & Ralf e Alan & Aladin. Esse gosto (que hoje me parece engraçado) veio da influência de meu irmão, violeiro amador e que tocava nas rodas de amigos e nos barzinhos do bairro. Eu geralmente estava junto, ouvindo. Cheguei até a participar de um festival de música sertaneja, onde fiquei em sexto lugar (não fui tão mal assim!). Me apresentei com “Desculpe mas eu vou chorar” (Leandro e Leonardo) na primeira fase e “Planeta Azul” (Chitãozinho e Xororó) na segunda. Em casa, meu irmão sempre estava ouvindo alguma coisa no rádio ou numa fita cassete para depois tocar no violão. Por tabela, eu ouvia junto. Gaúcho da Fronteira, Raul Seixas, Pop Band, Musical JM eram alguns artistas que ouvia com freqüência. Teve um tempo que cheguei até a gostar de Amado Batista, através da clássica “No hospital”. Podem rir!

Passei a perder essas referências à medida que me envolvia mais com a cultura evangélica. Os hinos congregacionais, comuns à época, praticamente eram de domínio público ou de autores desconhecidos. Não tinham nenhuma identidade, senão a de ser “música de igreja”. Aos poucos, lá pelos idos de 1995, já tinha uma noção de quem eram os protagonistas da música evangélica: Carlinhos Félix, J. Neto, Voz da Verdade, Grupo Logos, Adhemar de Campos, Comunidade de Nilópolis, Rebanhão. No entanto, foi depois de conhecer Oficina G3 e Brother Simion (Katsbarnea) que passei a ver a música evangélica muito mais do que “música de igreja”. Além do mais, foram artistas que me levaram a gostar do rock, e do rock feito por bandas especialmente. Fruto Sagrado, Resgate, Catedral e as internacionais Petra, Guardian e Whitecross foram conseqüências naturais depois disso. O CD “Indiferença” (Oficina G3, 1996) me firmou na preferência pelo rock cristão, gosto que começara com os trabalhos experimentais de Brother Simion ainda no Katsbarnea (“Cristo ou Barrabás”, de 1992, é meu álbum de referência).

Essas preferências e escolhas tinham muito a ver com aquilo que se tocava na igreja e com as influências dos colegas. O grupo de louvor realmente fazia um trabalho de vanguarda, há 15 anos. Os caras tocavam (e de maneira competente) Oficina nos cultos de domingo! Foi um período muito bom. No final da década de 90, particularmente, eu iniciava a busca por um estilo mais próprio, de um gosto musical mais coerente com minha personalidade. Algo entre o hard rock do G3 e as baladas do Catedral. Ou entre o som do Skank e o do Legião Urbana, minhas referências, em termos de banda, na música secular. Foi nessa busca que encontrei o Jars of Clay.

Nem lembro como, não sei se foi pela internet ou numa livraria. Deparei-me com o elefante azul da capa do álbum “If I Left The Zoo”, de 1999, e a foto em sephia do quarteto no verso. Enquanto a capa me parecia agressiva, o verso me informava de alguma coisa lúdica ou romântica. Entendi aquilo como a junção entre algo clássico e algo inovador. Era isso que queria. E era isso que o Jars era. Fiquei fascinado: o encarte era algo diferente de tudo que tinha visto. A musicalidade, a letra, o instrumental, a mensagem: tudo era tão bem feito. Todas as músicas eram excelentes, inclusive “Sad Clown”, uma das músicas mais tristes e melancólicas que já ouvi. Havia um motivo e o título da canção já explicava tudo. Pesquisei sobre a banda, sua história e influências. Diziam que o Jars era uma espécie de U2 gospel. Talvez a comparação valesse na época, hoje não mais. Adquiri os outros álbuns e até hoje acompanho o trabalho dos Vasos de Barro. É, de longe, minha banda preferida. E os caras sempre me impressionam.

A partir do Jars, fiquei mais atento ao som internacional. Conheci Switchfoot, Sonicflood, Third Day, MercyMe, Sixpence, AudioAdrenaline, DC Talk, Newsboys, entre outros de história mais recente. Além de Avalon, Point of Grace, Rachel Lampa, Jaci Velasquez, Whitecross, Petra e Guardian, conhecidos (pouco ou muito) anteriormente. No Brasil, não via nada no horizonte além de Resgate e Oficina. O advento dos ministérios empastelou a música gospel nacional, apesar de inaugurar um novo movimento evangelístico no cenário pentecostal. No geral, a música, como arte e experiência, declinou e voltou a ser meramente “música de igreja”. O ministério Filhos do Homem é um dos poucos que tem minha modesta apreciação nesse contexto. Atualmente, com o cenário alternativo e independente, meus ouvidos voltam-se à produção nacional. Tem coisa muito boa sendo feita e é preciso considerar e divulgar.

Este blog, então, nasce dessas percepções e experiências, somando-se à facilidade oferecida pela internet no contato com bandas e músicos de todo tipo, indiferente do lugar onde estão. Esclareço que não sou músico, não tenho banda, nem toco em grupos de louvor. Até tentei aprender a tocar violão no começo da minha conversão, mas não era minha praia. Tenho um sonho estranho de tocar harmônica só para fazer “Gênesis”, do Katsbarnea. A gaita, comprei há tempos, só falta aprender... E canto sozinho no meu quarto, quando não tem ninguém em casa! No mais, sou um ouvinte atento, observador, que gosta de sentir a música, sua letra e melodia. Não entendo muito bem da parte técnica, de arranjos, partituras, riffs e timbres. Mas avalio com sinceridade aquilo que chega até meus ouvidos.

Tenho a mente aberta. Às vezes me acho eclético demais, mas tem coisa que, de fato, não gosto: rap, hip-hop, pagode, axé. Nunca gostei. Espero continuar não gostando. Ainda acho Chitãozinho e Xororó a melhor dupla sertaneja e considero Pato Fu uma banda absolutamente singular (admiro muito o trabalho deles). No mundo cristão, Petra será sempre a melhor banda cristã de todos os tempos. O ministério Filhos do Homem nunca fará um álbum melhor que “Somos Teus Filhos”. Quero estar errado. E é uma pena que Stauros tenha acabado.

Gostaria de ter nascido ao som de “Flood”. Quero morrer ao som de “Fly”. Num dia de chuva. Em Portugal. Daqui a muito tempo. Depois, é claro, de plantar uma árvore, escrever um livro e amar uma mulher.

Meu outro blog:
http://www.caixaderessonancia.blogspot.com/ – Poesias, contos, crônicas e textos experimentais.

[jb]
João Batista

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