quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Entrevista: Lucas Souza Banda


Lucas Souza Banda é o nome e sobrenome de uma das grandes revelações do pop-rock cristão nos últimos anos no Brasil. Embora à margem da mídia, dos interesses das gravadoras e dos modismos na música evangélica brasileira, a qualidade do trabalho de Lucas Souza tem se firmado por caminhos alternativos, configurando, juntos com outros nomes seletos, como o Palavrantiga, referência obrigatória a todos que esperam uma renovação competente, independente e ousada no cenário da música cristã no país.

Lucas Souza Banda é Lucas Souza (voz), Leonardo Norbim (baixo), Jorge Duarte (guitarra) e Marcos Passos (bateria). O grupo de Vitória (ES) está junto desde 2002, quando os encontros musicais ainda eram esporádicos e informais. A partir de 2003, o trabalho foi ganhando corpo, seriedade e também notoriedade. E culminou, em 2004, no lançamento do primeiro álbum, “Capturado”. No entanto, foi com o segundo disco – “Caminho de Revolução” – gravado ao vivo em 2005, que a banda se projetou nacionalmente, com apresentações em várias cidades do país, e até no exterior, com participações nos Estados Unidos e na Europa. Em 2007, o grupo gravou o EP “Doxologia”, trazendo versões contemporâneas de hinos antigos. “Cidade do Amor”, de 2009, é o último trabalho de inéditas da banda e tem sido recebido com entusiasmo pelo público. Gerou, inclusive, convite para uma série de ministrações, realizadas neste mês, no Japão. Este último CD marca ainda um detalhe: foi masterizado no Abbey Road, lendário estúdio inglês por onde passaram os Beatles e Pink Floyd, entre outros famosos.

Confira abaixo uma entrevista exclusiva do site ItSoundsLike com Lucas Souza e saiba mais sobre o artista e o trabalho com “Cidade do Amor”:

ItSoundsLike: Lucas conta pra a gente como e quando a música surgiu na sua vida.
Lucas Souza: A música pra mim surgiu desde a infância. Aos dois anos eu já fazia aulas de musicalização infantil e logo depois emendei em aulas de flauta-doce, violino, piano, saxofone e violão, como também aulas de canto-coral. Cresci envolvido nessa áurea musical, porque além de ter uma mãe que é professora de música, morava conosco meu tio Luis Cláudio Barros, que hoje é considerado um dos maiores nomes do piano no Brasil. Eu passava o dia inteiro ouvindo o piano soar, já que ele estudava pelo menos 8 horas por dia. Isso aguçou meus ouvidos e me deu condição de fazer o que faço hoje.

ItSoundsLike: Quais foram as principais inspirações para a composição das música do “Cidade do Amor”?
Lucas Souza: Eu diria que várias, até porque não compus as músicas sozinho, mas com ajuda do meu irmão. Na verdade nesse CD ele tomou à frente, e fez boa parte das músicas, onde eu ajudava nas letras e arranjos. Eu tenho uma parceria muito boa com o Lúcio, que enriquece muito nosso trabalho. A grande inspiração foi o amor em si, falar do amor de Jesus, do amor pelo próximo, do sentimento mais importante que precisa permear toda nossa vida.

ItSoundsLike: Ele tem uma pegada mais britânica é em virtude da masterização lá, ou é coincidência?
Lucas Souza: É apenas em virtude de ser o som que gostamos de fazer. Como entendemos que nosso som tem essa característica britânica, apesar de nem sempre, logo ligamos isso à oportunidade de masterizar em Londres, o que concretizaria essa sonoridade.

ItSoundsLike: Abbey Road! É um sonho para qualquer um, conta pra a gente como foi que vocês conseguiram isso?
Lucas Souza: Eu recebi um convite para estar ministrando em algumas igrejas na Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça. Como estávamos por ali e planejávamos visitar um casal de amigos nossos em Londres, juntamos o útil ao agradável. Conseguimos agendar através do site do estúdio um dia no Abbey Road com o Geoff Pesche, que já masterizou de Coldplay a Radiohead, dentre vários outros artistas, e o resultado foi esse que vocês já ouviram. Foi incrível entrar lá, conhecer as salas, a história, aquilo é quase como um museu. Além de tudo, eles são incrivelmente profissionais e atenciosos, coisa rara de se encontrar num estúdio brasileiro, onde os técnicos acham que estão lhe fazendo um favor gravando seu disco. Enfim, foi bom demais!

ItSoundsLike: Indo um pouco pra sua vida pessoal, lí que você fez/faz curso de gastronomia, como é essa experiência?
Lucas Souza: É uma outra vertente do que gosto de fazer. E não deixa de ser uma experiência artística, porque numa cozinha de ponta existe criação o tempo todo. O curso é interessante, traz muita cultura também, e não deixa de ser um aprendizado.

ItSoundsLike: Quais álbuns você tem ouvido no momento?
Lucas Souza: Os principais são os lançamentos de Keane, The Killers, U2 e Mutemath, dentre vários outros. Meu iPod daria uma lista longa aqui.

ItSoundsLike: Com a chegada da internet o cenário da música mudou e muito, principalmente para quem ainda aposta no CD. O que você acha da relação: música x internet x venda?
Lucas Souza: O MP3 e o download acabaram com o CD. É a chamada pirataria final, muito mais crítica do que os discos vendidos na rua a 5 reais. Isso acabou com o mercado do CD, e não sei o que será do comércio da música no futuro. Acho que a indústria musical papou-vento literalmente, ficaram com tanto olho grande encima do CD que esqueceram de pensar numa tecnologia alternativa que pudesse manter a industria da música viva. Estou como todo mundo esperando por alternativas, já que no meio cristão é muito complicado sobreviver de shows como acontece facilmente no meio secular. Se as coisas continuarem assim, melhor será abrir um restaurante para poder pagar as contas (risos).

ItSoundsLike: Com a saída o Lúcio, com certeza houve uma grande perda técnica e de criação. Como vocês pretendem lidar com isso em shows e trabalhos futuros?
Lucas Souza: O Lúcio saiu do palco, mas não saiu da nossa vida. Ele sem dúvida vai continuar nos dando suportem em trabalhos futuros. E no palco hoje existem tecnologias que nos permitem manter a qualidade do CD com autenticidade. Além disso aos poucos eu tenho assumido o piano em algumas musicas, o que tem mudado bastante nosso som ao vivo. Eu gosto de desafios, e substituir a lacuna que ele deixou tem sido trabalhoso, mas tem nos forçado a buscar um outro patamar técnico. O que é muito bom.

ItSoundsLike: Qual seriam seus conselhos para quem está começando na música e tem esperança em viver disso? É possível?
Lucas Souza: Pense duas vezes, três, quatro, cinco vezes. Não crie ilusões. Tenha convicção de que Deus quer você fazendo isso, de que essa é a vontade dEle, ou então você vai se decepcionar muito. É preciso ter nervos de aço e muita paciência. Além disso, é um trabalho de formiga. Tem que saber juntar e guardar para o inverno, porque no Brasil as coisas só funcionam de verdade no segundo semestre. Não quero desanimar ninguém, mas não posso ser inconseqüente. E acho que o mais importante, antes de se arriscar na música, é a pessoa ter alguma formação que lhe sirva de alternativa, caso a música não seja o suficiente. É um principio de sabedoria eu acho, e no mundo hoje só sobrevive quem for sábio, já que não temos a opção de sermos desonestos, como boa parte, nem gananciosos, como os demais. Coragem!
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Vídeo: “Eu Quero Ir

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