quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Entrevista: Rodolfo Abrantes



A entrevista que segue abaixo é uma transcrição do áudio do programa dotCast 43, da equipe do site dotGospel. Faça o download ou ouça o arquivo online neste link. O Amplificador recomenda. Na entrevista concedida a Rafael “Pepe”, o cantor Rodolfo Abrantes comentou sobre as circunstâncias do rompimento com o Raimundos, os motivos da formação fracassada do Rodox e a reviravolta na vida e na música a partir da carreira solo. Rodolfo tocou em temas polêmicos, como a prática do “jabá” nas rádios, a incompreensão do público pela saída do Raimundos, os momentos finais na banda e a questão da fama para os artistas cristãos. A conversa tem um caráter definitivo e coloca no chão qualquer dúvida dos fãs que ainda resta sobre a conversão e a trajetória musical de Rodolfo Abrantes. Entre muitos esclarecimentos e revelações, ele anuncia para breve o lançamento de um CD gravado ao vivo, com músicas compiladas dos dois últimos álbuns, e ainda, para mais adiante, um disco de inéditas, já em trabalho de pré-produção. Boa leitura!

dotCast: O que que você acha da fama, se vale a pena, quais as coisas boas da fama, as coisas ruins? E pensando, talvez, até no cristão mesmo, o cristão que hoje pode ser um cara que está buscando ser conhecido e reconhecido pelo trabalho dele e tudo mais. O que você acha de tudo isso?
Rodolfo Abrantes: Todo músico, toda pessoa que grava um CD, quer que seu trabalho alcance o maior número de pessoas. Se você ter feito dentro de um quarto de uma casa pode alcançar o mundo inteiro. Se ter feito no melhor estúdio do mundo pode não alcançar ninguém. Quem grava um CD e tem seu material quer que seu trabalho seja divulgado e quando acontece de um grande número de pessoas gostar do teu trabalho a coisa meio que mistura. Tipo, porque perde-se o foco. Você olha para a pessoa que fez e não para o trabalho. “Bom, eu gosto é dele, não do trabalho dele”. E, cara, o ser humano não foi feito para ser adorado. A gente não foi feito para ser adorado, a gente foi feito para adorar. A gente não tem estrutura para receber adoração. A gente não tem estrutura. É simplesmente uma coisa completamente fora do propósito, fora da ordem e totalmente abominável a Deus quando qualquer coisa é adorada na frente dele. O que o artista acaba recebendo é louvor, é adoração. As pessoas gritam “eu vim aqui só pra te ver”. Gritando seu nome, você mexe a mão para um lado e todo mundo mexe, mexe para o outro, todo mundo mexe. As pessoas usam camisas com o seu rosto. Fazem tatuagem com o símbolo da tua banda. Isso tudo é adoração e a gente não foi feito para se adorado. Então, tem algo recebendo essa adoração e não é do bem não.
Então, gera um peso muito grande que o ser humano não consegue comportar. Isso gera um peso. É uma coisa difícil de carregar. Você tem que virar outra coisa, porque você simples, do jeito que você nasceu, você não comporta. Então, você assume... uma máscara, exatamente, e passa a viver sua vida baseado numa mentira porque você não foi feito para aquilo. Na realidade é uma grande de uma ilusão esse negócio de ser famoso. As pessoas hoje em dia têm essa cultura de ser famoso. Aquele Zina [Marcos da Silva Herédia, comediante do programa Pânico na TV] lá... Só porque o cara fala “Ronaldo”, o cara ficou famoso. Tipo, meu Deus, eu sei falar “Ronaldo”! Qualquer criança que aprende a falar, pode falar “Ronaldo”. E o cara falou “Ronaldo” e ficou famoso. A galera vai para o Big Brother, fica famoso, vira celebridade. “Ó, celebridade!”. Celebridade por quê? Simplesmente porque apareceu, porque foi visto. E é uma loucura tão grande por aparecer que basta ser visto para ficar famoso. São artistas que não fazem arte. Tipo, é uma coisa louca pra caramba. Eu acho muito perigoso. Eu acho, cara, que o foco da minha vida hoje é cantar para Jesus. E se minha música for conhecida é para que as pessoas conheçam Jesus. Se alcançar o maior número de lares é para que as pessoas conheçam Jesus. Se as pessoas forem nas nossas ministrações e em alguns shows, que elas cheguem lá, mas que elas encontrem Jesus. O alvo é fazer Ele famoso, é fazer Ele grande, é fazer com que Ele seja reconhecido. Porque assim você não fica pesado, você fica leve. Você está cumprindo o seu papel: fazer Ele ser adorado.

dotCast: Como é que era no Raimundos assim, por exemplo, gravadora? Tinha muito rolo de gravadora, por exemplo, com rádios? A galera pergunta muito sobre isso, sabe, “jabá” e sacanagens que os caras faziam. Tinha muito dessas coisas?
Rodolfo: Claro, tudo é política, claro que tem. Toda rádio só toca se a gravadora paga. Não tem essa “Ah, eu vou tocar porque você é bonitinho”. Não é. Você paga, a rádio estoura a tua música e, se está estourado numa rádio, a outra tem que tocar também para não ficar para trás. Aí, pronto, aí você está tocando em todas as rádios.

dotCast: Agora, mesmo depois de, por exemplo, como o Raimundos. Depois de um tempo o Raimundos começou a ter uma fama, certo? Mesmo assim a banda precisava ter...
Rodolfo: Tem, é o esquema. Rádio vive disso.

dotCast: Mesmo banda famosa não escapa do esquema?
Rodolfo: Claro, claro. Não, não escapa. Já tem a verba de divulgação. A gravadora já tem essa verba de divulgação que é para pagar para sair nos programas, pagar para as músicas tocar nas rádios, quantas execuções por dia...

dotCast: Porque, às vezes, a banda tem aquela ilusão de ir para a gravadora. Mas, na verdade, é só o seguinte, ele só não vai ser o intermediário da sacanagem que vão fazer com a rádio, não é?
Rodolfo: É, às vezes não fica nem sabendo. Mas, meu, é a real. Não é que a rádio toca o que você quer ouvir. Você ouve o que a rádio quer que você ouça. E pronto.

dotCast: Ninguém pede, tipo assim, esse negócio de pedir música, pede o que já está tocando, não é?
Rodolfo: É porque já está tocando. “Ah, toca ela de novo”, aí vira a mais pedida porque já tocou tanto... É repetição.

dotCast: A relação da banda Raimundos. A relação de vocês era boa, assim como banda, ou não? Ou vocês não tinham uma relação de amizade muito legal...
Rodolfo: Cara, a banda nasceu debaixo de amizade mesmo. A gente era amigos comuns e montamos a banda. Depois do primeiro CD as coisas começaram a mudar um pouco. Continuamos amigos, mas entra dinheiro, entra ciúmes, entre um aparecendo mais que o outro, e o outro quer aparecer mais e aí gera vaidade. E isso vai minando a amizade, vai minando. Até que, na época que saí da banda, a gente só se via no show, só se via na hora de tocar. Não que a gente se odiasse, nada disso. Na nossa cabeça éramos amigos, mas não tínhamos mais relacionamento.

dotCast: Era meio profissional, mesmo?
Rodolfo: Exato. Nêgo casou e cada um foi para o seu lado. E aquele negócio...

dotCast: E o que você acha pior, assim, Rodolfo, nessa parada de fama, na questão de “a banda está crescendo e tal”. É mais a vaidade, é mais as drogas?
Rodolfo: Tudo é vaidade. Tudo é vaidade. A vaidade está ali. É um poço de vaidade.

dotCast: Hoje você ainda conversa com os caras do Raimundos? Você tem alguma relação?
Rodolfo: Não, não tenho.

dotCast: Por exemplo, o “Canisso” [José Henrique Campos Pereira, baixista da formação original do Raimundos] foi até uma parte do Rodox...
Rodolfo: Exatamente. Mas ele não gosta muito de telefone. E eu também não, daí fica fogo. Mas eu gosto muito dele.

dotCast: Mas é um cara que, se você encontrar, troca uma ideia normal?
Rodolfo: Tranquilo, tranquilo.

dotCast: Mas, e com os outros cara?
Rodolfo:
Cara, eles assumiram que eu era inimigo deles quando eu saí da banda e ficou assim.

dotCast: Porque eles, na verdade, não compreenderam essa ideia de que, tipo...
Rodolfo: Não, não compreenderam. Deu prejuízo, não é, cara.

dotCast: Agora, outra coisa, como é que foi, porque, por exemplo, quando você passou a conhecer a Cristo, você continuou um tempo ainda no Raimundos?
Rodolfo: Sim, uns cinco meses.

dotCast: Como é que foram esses meses. Porque, eu penso assim, o desafio que deve ter sido para você... Você já estava vivendo outros valores. Você tinha, às vezes, que cantar umas músicas que você sabia que já não tinha mais nada a ver. Como é que era isso para você?
Rodolfo: Torturante, era torturante. E a medida que a gente ia crescendo com Deus, isso se tornava mais torturante ainda. Ao ponto de, a turnê acabou, eu falei: Cara, não agüento mais, vou sair. Não quero mais um ano disso, mais uma vida disso. Gravar outro CD? O que que eu vou compor? A respeito do quê? Porque, até então, eu estava cantando coisas que eu tinha composto quando eu ainda não conhecia Jesus. E, a partir de agora, eu ia cantar o quê? Como que eu iria manter aquele personagem? Não tinha mais condição. É o problema da criação, não é? E decidir sair fora, tipo assim, parecia coisa de louco, mas foi questão de sobrevivência.

dotCast: Então, na verdade, você só cumpriu a última turnê, que já estava em andamento, e saiu fora?
Rodolfo: Foi. Eu fui tocando e quando chegou o último fim de semana foi ali que eu decidi mesmo. Parecia uma coisa impulsiva, mas, na época, era o que eu tinha que fazer.

dotCast: Aí nós vamos para uma fase, cara, que é uma parte bem louca, que é o Rodox. Eu já ouvi várias entrevistas de você falando sobre isso e muita gente, às vezes, nem entendeu direito o que que o Rodox era para ser e tudo o mais. Mas, cara, o Rodox foi uma parada muito louca, não é? [...] A gente vê duas coisas no Rodox. A gente vê uma ideia muito fantástica, tipo, você poder tocar para pessoas que não são cristãs, e tal, mas tinha outra coisa também, que você era o único ali que estava a fim, não é? De fazer isso, por exemplo, essa parada de cantar para as pessoas e tal. Os outros estavam ali por serem músicos, por gostarem, não é isso? É mais ou menos isso aí?
Rodolfo: Já estava ali, meu. O negócio... Estava todo mundo falando o meu nome. Era uma parada que já estava exposta simplesmente por existir.

dotCast: Mas os outros músicos não tinham, assim...
Rodolfo:
Não tinham nada com Deus, não tinham compromisso algum.

dotCast: E não tinham essa ideia, não é, de “vamos passar uma mensagem bacana”?
Rodolfo: Estavam lá fazendo show. E era isso.

dotCast: Assim, o pessoal ainda até hoje não entende muito bem por que o Rodox acabou, por que que não, mas, assim, um dos pontos seriam mais ou menos isso, da questão de divergência de pensamentos dos próprios integrantes, não?
Rodolfo: Sem dúvida. A resposta mais prática poderia ser essa. No começo eu montei a banda, Rodox era um apelido que eu tinha, era meu contrato com a gravadora. Eu chamei os caras para tocar comigo e acabei dividindo tudo, assim tipo, nós somos uma banda e todos tem voz ativa. Foi o maior erro que eu fiz na minha vida, porque, ok, “então, nós começamos a decidir também”. No começo respeitavam a parada, mas o respeito foi indo embora. Nem sei se era respeito, no começo eles fingiam legal, assim, que respeitavam. Depois o respeito acabou completamente ao ponto de, meu, no fim quando eu terminei o Rodox era porque estava insustentável. Um nível de bagunça incrível, de falar “meu, não tem como, não dá”. E foi uma questão de sobrevivência.
O Rodox, na minha opinião, cara, foi algo que Deus acabou usando por misericórdia, por misericórdia mesmo. Porque existem duas coisas diferentes que é a minha vontade em Deus e a vontade de Deus em mim. O Rodox era a minha vontade em Deu, era o que eu queria fazer, não foi o que Deus me mandou fazer, era o que eu queria fazer. E eu era um cristão muito imaturo ainda. Sete meses de convertido, oito meses quando eu montei o Rodox. Não tinha um pastor sobre a minha vida, eu ia em cinco igrejas diferentes ao mesmo tempo. Não tinha ninguém me aconselhando, eu estava em transformação. E o Rodox surgiu num turbilhão emocional muito forte, porque foi quando eu saí da banda e, meu, eu tive que encarar a rejeição de uma maneira que eu nunca tinha encarado. A rejeição da minha família, a rejeição dos meus amigos, a rejeição dos companheiros da banda, rejeição dos fãs, rejeição das rádios, da MTV, rejeição de todo mundo, tudo me rejeitava. Tipo, eu era um palhaço, eu era o cara que abandonou a banda, eu era o traidor, eu era, meu, eu fui infiel com o rock, fui infiel com a banda, fui um moleque. Então era assim, virou espetáculo... O que acontece, meu, eu queria desabafar, cara. Então, assim, eu queria adorar a Deus, mas eu queria desabafar. E as músicas do Rodox têm muita mistura e eu não consigo ouvir uma. Nenhuma. Porque eu estava em transformação, meu coração não estava puro para adorar a Deus. Na mesma música que tem “glória a Deus”, tem eu querendo mandar recado para alguém. No mesmo disco que tem “Cego de Jericó”, tem “Horário Nobre”, eu querendo matar a televisão e toda a mídia. Tipo, como é que... Essa agressividade não tem nada a ver com Deus, essa mágoa, essa falta de perdão. Não tem nada a ver com Deus. E aquilo começou a me castigar. O processo de transformação na minha vida continuou. E é louco porque eu identificava coisas dentro do Rodox que eram amargura pura. E eu estava cantando essa amargura. E não tinha como me livrar dessa amargura enquanto eu continuasse profetizando isso para a minha vida através de música.
E, meu, chegou um tempo de quando cancelava um show do Rodox, para mim era motivo de muita alegria, porque eu não precisava nem viajar. Tipo, eu estava começando a ter o mesmo sentimento que eu tinha com o Raimundos, só que num tempo muito mais curto de existência. Então aquilo começou a ser um sinal. Era uma coisa complicada. O Rodox era uma banda muito indefinida: era muito do mundo para a galera da igreja e muito da igreja para a galera do mundo. No começo, ninguém ia nos shows, os shows eram vazios, era prejuízo, era show sendo cancelado por que vendeu 100 ingressos. Era, meu, era humilhante. Chegava a ser humilhante. A gente tocou em Porto Alegre [RS], num lugar chamado Bar Opinião, que é um reduto da música em Porto Alegre, já cheguei a fazer três dias de SoulOut (?) com o Raimundos lá, e fomos tocar o Rodox, cara, eu me lembro que o cachê foi 19 reais para cada um. Sabe você receber uma nota de 20 e dar uma de troco? Isso o cachê. Então, assim, era uma situação que, cara, era doído. Você está investindo e ninguém entendeu, ninguém gostou. Mas isso era uma coisa muito, tipo assim, era a aversão ao posicionamento que eu tinha tomado. Quando o Rodox saiu da [gravadora] Warner, porque fomos mandados embora da gravadora porque veio a crise no mercado fonográfico, e a Warner Internacional mandou a Warner Brasil cortar a metade do cast. E a metade que foi cortada foi a metade que vendia menos. Estavam o Raimundo incluído e o Rodox também. Foi quando a gente ficou sem gravadora. Nessa época, a galera underground começou a valorizar mais, porque agora era uma banda independente. Os shows começaram a encher, a galera começou a cantar as músicas. Já tinham passado dois ou três anos, e a galera passou a entender o que era a pegada do Rodox, e tudo. Mas nesse tempo, eu ainda estava sendo transformado. E três anos de transformação ali dentro, meu, me fizeram desejar a vontade de Deus na minha vida, e não a minha vontade.
E, cara, quando eu terminei com o Rodox, eu orei ao Senhor e falei: “Pai, eu não quero dar mais um passo ser receber a tua direção primeiro”. E foi aí que o trabalho do Bola de Neve começou em Balneário Camboriú [SC]. O pastor me pediu para mim ajudar lá no louvor. Eu vi uma igreja nascendo e foi aí um tempo que eu aprendi a servir, aprendi a ser servo. Fui lixado, o músico teve que morrer, artista teve que morrer. E foi um período que aí eu comece a fazer novas composições e aí até que pintou o [álbum] “Santidade ao Senhor”, que foi um negócio completamente estranho para mim, porque tinham estilos dentro das músicas que não tinham nada a ver como que eu tinha feito no passado. Tinha música que parecia blues, tinha música que parecia folk, tinha música que parecia sei lá o quê, música meio reggae. Tipo, eu nunca tinha feito isso na vida. Era estranho para mim. Assim, para mim, eu estava respeitando ao veículo que a mensagem pedia. Sabe é, tipo assim, eu creio que existem mensagens que querem ser gritadas, e aí você vai... A mensagem que estava vindo para mim agora não era mais isso. Simplesmente respeitei a música que seria simplesmente o veículo para esta mensagem ir adiante. E, cara, o sinal disso é que o Espírito me deu paz, alegria. Eu toco as mesmas músicas até hoje, amo ficar tocando horas seguidas e, meu, não tenho problemas com isso. Acabo só usando a estrutura das músicas para adorar a Deus, não fico me prendendo muito a começo, meio e fim, para ter a liberdade de adorar a Deus no meio disso. E, cara, tem me feito muito bem.

dotCast: Você passou uma mensagem no passado e hoje você vem carregando outra mensagem. Qual mensagem hoje que você acha, assim, que você gostaria de passar para os jovens? Até a galera que curtia Raimundos, e tem gente que até está hoje no teu pé ainda... Mas qual a mensagem que você gostaria de passar para a galera hoje. Qual a mensagem do Rodolfo Abrantes hoje para o mundo, vamos dizer?
Rodolfo: Cara, o mundo tem solução e a solução é Deus, é o governo de Deus, é o reino de Deus. A desordem é o governo dos homens. A ordem é o governo de Deus. Olhem para Jesus, façam dEle o centro de sua vida e, meu, a sua vida depende disso. Não interessa você ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma, cara, não interessa se viveu uma vaidade aqui nessa vida. O tempo passou e não volta.

dotCast: Você acha que, por exemplo, um projeto que nem Rodox, mas feito de forma assim, toda a galera no mesmo propósito, você acha que daria certo ou não?
Rodolfo: Se fosse a vontade de Deus, claro.

dotCast: [...] Eu vejo uma galera nascendo nisso também. Vários cristãos que estão querendo fazer a diferença no meio secular também. E qual que seria o seu recado para essa galera que está querendo fazer isso aí e tal, você que já teve nesse meio aí, anos e anos e anos, qual seria suas dicas?
Rodolfo: Cara, Deus nunca vai jogar você no meio dos lobos se você não for uma ovelha. Ele disse: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos”. Mas a ovelha ela é protegida pelo pastor, a ovelha sabe quem ela é, e a ovelha conhece a voz do pastor. A ovelha ouve a voz do pastor e a ovelha obedece a voz do pastor. Deus não vai desejar que você esteja lá antes que você esteja pronto para estar. Porque se você for para lá e tudo que você ver e estiver ao seu redor te servir de uma pedra de tropeço, é uma roubada. Eu creio que Deus, Ele tem planos para cada um, cara, e eu não estou aqui para julgar ninguém. Na boa, a Baby do Brasil aparece cantando em cima de um trio elétrico lá no carnaval da Bahia. Todo mundo fala mal dela, mas é o chamado de Deus para a vida dela, ela foi chamada para isso. Ela chega no Jô Soares, fala dois blocos seguidos e ninguém manda ela parar. Ela tem entrada, é o ministério dela, eu não estou aqui para julgar. Se foi Deus quem mandou, quem sou eu para me opor ao que Deus está fazendo.
Para essa galera que quer fazer, estar lá, e fazer essa diferença, você vai precisar ser muito mais crente do que um cara que só toca na igreja. Sem dúvida, na igreja é fácil ser crente. Você vai ter que ser muito mais santo, vai ter que ser muito mais posicionado, muito mais convicto. O perigoso disso é que a maioria das pessoas que quer estar lá é porque ainda não está pronto. Está louco é para voltar. Está louco para experimentar a coisinha lá do mundo, mas com a desculpa de que foi evangelizar. E, na verdade, só quer ficar famoso. De repente, daqui a pouco está pegando mulher, daqui a pouco está doidão de novo. Caiu e só está cantando uma música religiosa que não tem poder, não tem verdade, não tem amor e não faz nada, só soa bobo. Música religiosa sem espírito, soa bobo.

dotCast: Você falou uma parada interessante. Eu estava vendo ontem vocês tocando e, na última música, o batera ficou em pé tocando a bateria e tal [...].
Rodolfo: A verdade, cara, é a verdade de Deus. A verdade liberta. A verdade liberta, a Bíblia diz isso. E tem que viver e ser fiel com a verdade de Deus na sua vida. Eu estou muito confortável hoje, muito em paz, com a direção que Deus tem dado para essa parte da minha vida, que é a música. Uma parte, não é a minha vida; minha vida é Jesus. É uma parte da minha vida. Porque eu não preciso parecer mais nada, não tenho mais o peso de ter que parecer alguma coisa, para incrementar e ser uma cereja do bolo, não precisa. Se eu estou aqui para sumir, quanto menos eu for, melhor. Me sinto bem em passar tempo falando de Jesus e cantando para Ele. E se você não quer sair daquele lugar é porque aquele lugar está bom. Então, eu observo os sinais, porque Deus vai manifestar, vai botar sinais no meu caminho para me mostrar o caminho que eu devo seguir. E os frutos, eles virão por permanecer nessa verdade. Jesus disse, quando Ele fala da parábola, quando Ele da videira, que Ele é a videira e nós somos os ramos, Ele fala “permanecei” em várias vezes. E quando Ele repete muito uma coisa, presta atenção, porque talvez Ele queira dizer algo. Os frutos eles não vem pelo teu esforço, eles vem pelo permanecer, eles vem naturalmente. Então, enquanto eu permanecer, Deus vai estar fazendo o resto. O fruto vem dEle, não sou eu. Eu só tenho que estar no lugar certo, na hora certa, fazendo a coisa certa.

dotCast: E, por exemplo, e caminhar com Deus, Rodolfo, que nem você está hoje, buscando cada vez mais e tal, não é um caminho fácil, não é cara? Porque, por exemplo, você hoje sofre até hoje, galera que (você deve sofrer isso direto), galera que vai no teu show, que era do Raimundos e não concorda com você, e fica falando besteira, não é?
Rodolfo: Cara, acontece, mas não é que eu sofra com isso não. Não sofro nem um pouco. Ontem mesmo tinha um gurizão lá com a tatuagem do Raimundos no peito e estava na frente do palco. E, meu, e fumando sem parar e soprando a fumaça na minha cara. Não me incomodou nenhum pouco, cara. Eu estava glorificando a Deus por aquele cara esta ali. Tinha uma galera mais underground lá no fundo, levantando umas garrafas de cachaça, falando um monte de besteiras. No final eles vieram ali tirar foto. Até a galera veio falar: “Meu, cuidado, esses caras eu acho que... vai dar problema”. Cara, eu abracei os cinco, uns cinco ou seis, assim, e vamos tirar uma foto aqui. Um até me beijou na cabeça, tipo, meu, glória a Deus, a gente foi para a praça para esses caras, a gente foi para eles chegarem. Eu quero que essas pessoas possam ter a oportunidade, aí a escolha é deles.

dotCast: Porque a gente fala tanto de amor, não é Rodolfo, se a gente não praticar isso, não é, cara...
Rodolfo:
Então é morto. A minha fé é morta.

dotCast: E, só falando assim, para fechar um pouquinho do futuro de Rodolfo, teve aquele burburinho agora há pouco, que falaram que você ia voltar para o Raimundos, mas que, assim, só para o pessoal ficar tranqüilo, que não vai rolar isso aí, não é?
Rodolfo: Não existe isso. Não existe. Não tem a menor chance. Mais fácil eu voltar para a barriga da minha mãe, do que... Não tem, não tem a menor chance, não existe a menor possibilidade. Não tem dinheiro nesse mundo, cara, que me compre e que seja mais alto que o valor do sangue de Jesus pela minha vida. Não tem, não existe. Internet é o melhor lugar para um mentiroso se manifestar, cara. Ninguém mostra a cara, fala um monte de besteira, todo mundo acredita e começam a comentar, o negócio espalha e estão achando que aquilo é verdade. É engraçado como a mentira, quando ele espalha, ela parece mais verdadeira que a verdade. “Não, mas disseram que você vai voltar para o Raimundos!”. Cara, eu estou dizendo que não vou, o que interessa que disseram?

dotCast: Direto da fonte, não é?
Rodolfo: Tipo, meu, é uma coisa louca. Eu nem mexo com isso. Na real, não tenho Orkut, não tenho Twitter, não gosto de nada disso. Tem uns retardados que dizem que sou eu no Orkut, tem um Rodolfo lá, botam foto e tudo. Vai arrumar o que fazer, vai estudar matemática, vai fazer um curso de inglês, sei lá, cara. Não gosto disso, sabe por que, porque eu prefiro contato, tipo, estou aqui. “Ah, eu te mandei um e-mail para você me ligar”, porque você não me ligou de uma vez, cara? Sabe, é um vício. É a novidade desse tempo. E é uma mentira, não é? Porque você não vê ninguém colocar uma foto no Orkut do dia que ele está triste, você não vê o cara num lugar, tipo, na maior roubada, tipo, aquela cara... Não, está sempre na praia, com “oclão”, tipo, “olha como eu sou perfeito, olha como eu sou lindo, olha como a vida é boa, eu quero ser famoso também”. Sabe, tipo, é uma droga isso, não estou nem aí para esse treco, não.

dotCast: Rodolfo, por exemplo, agora, no futuro, lógico que você está aí no que Deus te falar, na direção dEle, mas você pensa em algo do tipo, que nem Rodox, cantar para a galera secular e tal, ou não? Você hoje está mais voltado mesmo para a questão de igrejas, louvor e tal?
Rodolfo: A Bíblia diz para a gente desenvolver com temor e tremor a nossa salvação, cara. Então, assim, eu não vou botar minha salvação em risco não. Como eu preguei hoje aí de manhã, eu creio na medida que Deus tem para mim e Ele me quer separado. Foi dali que Ele me tirou, cara. Me tirou dali, se Ele me tirou porque que eu vou me por de volta? Não vou, na boa. Já tive uma experiência de fazer do meu jeito e não foi, não prosperou, porque eu fui na minha força, e minha força é uma merreca. Sabe, a minha vida com Deus hoje, hoje eu viajo muito mais do que na época com o Raimundos, para você ter um ideia. Estou muito mais fora de casa do que estava na época do Raimundos. Tenho prazer em tocar coisa que eu não tinha, sabe. Tenho composto, coisa que eu não fazia – a gente fazia as músicas e na hora de gravar eu inventava um monte de porcaria que rimasse e a galera cantava amarradão, dizendo: “Olha que grande letra!”.

dotCast: Não tinha nada a ver, não é? Tudo na hora!
Rodolfo: Nada a ver. Tipo, tudo melhorou, então eu não tenho porque negligenciar esses sinais e sair querendo inventar moda. “Não, vou voltar. Tive uma grande ideia”. Poxa, Deus teve a grande ideia para a minha vida. Ele teve o grande plano. Tudo que eu tenho que fazer para ser feliz é seguir esse plano dEle, se Ele me quer aqui, é aqui que eu vou estar.

dotCast: Rodolfo, valeu aí pela sua entrevista. O dotCast agradece muito sua presença e, se você quiser falar alguma coisas aí sobre seus CDs, alguma coisa para a galera, sites, ou quer dar alguma informação e dar sua despedida, fique à vontade.
Rodolfo: O nosso site está fora do ar. A gente está fazendo outro, mas tem uma página no MySpace, que tem as músicas lá e eu acho que é a coisa mais atualizada que a gente tem, essa página no MySpace [http://www.myspace.com/rodolfoabrantes]. Os CDs que a gente tem são o “Santidade ao Senhor” e o “Enquanto é Dia”. E está saindo um CD ao vivo agora, foi gravado em 2007, mas só agora que está saindo, que é uma compilação desses dois CDs. Talvez saia um DVD também do mesmo show, a gente não sabe ainda se vai lançar, mas o CD ao vivo está saindo, está indo para a fábrica agora. E ano que vem vai estar vindo um CD aí de inéditas, que já está em pré-produção, já tem 70% do material pronto, e a gente só está esperando o tempo certo de botar isso aí na rua.

3 Comentários:

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