sábado, 10 de janeiro de 2009

O Oficina sustenta a bandeira do rock gospel brazuca



Criatividade, experimentação, inovação, ousadia, qualidade e coerência. Estão aí alguns termos que traduzem em grande parte o trabalho do Oficina G3 em 20 anos de atuação. Entre as grandes, a única banda que ainda sustenta a bandeira do rock gospel brazuca com firmeza, produção e originalidade. Com o lançamento do último álbum, Depois da Guerra, o grupo confirma sua consistência e ainda dá uma banana para o congregacionismo estéril esparramado em igrejas, rádios e eventos.

Fazer música é fazer arte. Fazer música para Deus é fazer arte com compromisso, responsabilidade e respeito. À Deus e também às pessoas. Como toda obra artística e cultural, a música está sujeita a críticas. Quem quer ser eximir de responsabilidades e culpas simplesmente faz o “que todo mundo está gostando” e não se compromete. Apenas entra na onda e recebe os verdes louros da mediocridade. Eu vejo que o Oficina se esforça em ir na contra-corrente dessa maré. Ousa arriscar, experimentar, dar a cara à tapa, sair das quatro paredes da igreja, provocar reflexão e adoração com a arte que sabem fazer. É claro, eles não são perfeitos, tropeçaram algumas vezes ao longo da carreira mas continuam na dianteira, como bandeirantes da música gospel bem feita, ao mesmo tempo tentando se equilibrar na balança onde pesam o dinheiro, a presença das grandes gravadoras, os interesses institucionais, o segregacionismo das igrejas. Ao se expor e ousar, na mudança de arranjos, na retomada de estilos, na contrariedade à tendências e na busca pelo diferencial, a banda Oficina G3 atraiu e atrai o olhar de quem é de fora do meio evangélico, às vezes muito mais daqueles que são de dentro – muitos embotados em conservadorismos inúteis.

Depois da Guerra prova isso. Prova que a luta contra a mesmice continua. Infelizmente, outras grandes bandas não conseguiram manter-se à altura da inovação e do risco. Por diversos motivos, pararam ou deram um tempo, ficaram instáveis. Deram, de fato, uma contribuição imensa à abertura do rock gospel no Brasil, sobretudo nos anos 90. O caminho está feito e agora alguém terá que seguir e continuar. O Oficina fez e segue o caminho. Que sigam-lhe os bons! O Katsbarnea depois que perdeu o Brother Simion não foi mais o mesmo: perdeu fôlego, força e intensidade; não sabe pra onde quer ir. O Resgate é sempre um mistério: nunca se sabe o que estão bolando. Se estão realmente bolando alguma coisa, deve ser coisa boa. Se não estão, devem estar mortos. E o Fruto Sagrado, o que dizer? Mudanças no grupo, integrantes divididos, problemas internos e a produção se descarrilhou. Em stand by, as perdas no grupo são irreparáveis. Será que o Fruto já caiu de maduro? Poderiam ainda ter muitos ouvidos a alimentar... Outras bandas do cenário nacional tentaram se impor para não deixar a peteca cair. Código C, Patmus, Metal Nobre, Novo Som. Parece difícil, porém, manter o nível dos pioneiros. Além de obstinação, é preciso, no mínimo, fazer boa música, o que nem sempre acontece.

Nesse vácuo é que a presença de grupos independentes, não atrelados a igrejas ou grandes gravadoras e nem com grande aporte de mídia, ganha relevância sobre quem trilhará o caminho das pedras, do rock gospel de atitude. Mas as bandas “menores” será assunto para outro artigo. Por aqui fica o apelo para ouvirem e avaliarem o novo trabalho do Oficina G3, o novo vocal, as novas letras, a nova ambição internacional. Novidades: é o que espera de quem está vivo. Sobre quem insiste no comodismo das vãs repetições adoracionistas, é bom deixar os mortos sepultar seus próprios mortos.

Para comprar o CD: Gospel Goods
Para baixar o álbum: Gospel Downloads
Parar ouvir: MySpace Oficina G3

[jb]

2 Comentários:

Ant disse...

caro JB,

não seria incómodo aceder ao pedido, se o endereço fosse ao acaso.
Na realidade não é.
Mais pormenores lá no sítio.
Abraço

Anônimo disse...

bom comeco

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